sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Feliz aniversário, Feliz Natal






Nos próximos dias estaremos comemorando um aniversário de 2.016 anos.

Procurando uma imagem, gostei muito dessa composição realizada pelo designer ucraniano Alexey Kondakov, ambientando os personagens do quadro Canção dos Anjos, de  Bouguereau (França) num trem de metrô de qualquer lugar.

A todos os passageiros, desse qualquer lugar, desejo paz.


sábado, 17 de dezembro de 2016

Pelas crianças de Aleppo, Síria, algo que dá pra fazer

Gente, o post de hoje é pra chamar todo mundo a assinar a petição em favor da retirada das crianças da cidade de Aleppo, na Síria.

Tenho procurado aqui, a todo instante, abstrair essa situação terrível dos meus pensamentos, mas tá brabo... e sei que tá todo mundo chocado e desejoso de fazer alguma coisa...

Então achei esse caminho da Anistia Internacional e chamo todo mundo a ir lá e assinar.

A gente não sabe se isso efetivamente ajuda, mas é a única coisa que se apresenta a fazer.

Além de torcer muito pra que os sobreviventes sobrevivam.

domingo, 11 de dezembro de 2016

ENAM 2016, guardado na memória :o)



Agora arrumo tempo pra contar sobre o quanto foi bacana o ENAM 2016 - Encontro Nacional de Aleitamento Materno, em Florianópolis, e pra começar, mostro pra vocês minha tão especial aquisição: de prata, uma delicadeza, comprado no stand da Matrice :o)





A abertura foi o máximo, com direito a coro de crianças cantando o Hino Nacional e o Hino de Florianópolis, coisa muito poética. Depois das falas das autoridades presentes, teve dança finalizada por uma bailarina que trouxe o bebê ao palco e ali tentou amamentá-lo. A criança estava distraída com as luzes e movimentos, não mamou, mas extraiu suspiros de toda a assistência. Curti tudo ao lado de Maria Cristina Passos, de Ouro Preto.

A assistência? Mil e quinhentas pessoas, todo o país representado e eu pensei: caramba, aqui todo mundo sabe o mal que a mamadeira faz! Eu estava na minha praia, definitivamente ahahah.

A conferência de abertura foi do pediatra espanhol Carlos Gonzalez. E que conferência!... falou sobre o seu livro "Besame mucho" e da importância da proximidade dos pais, do quanto a criança depende deles. E chorei algumas vezes, porque a gente se vê mal quando os pais morrem, como os meus morreram recentemente, mesmo que já tenhamos quase 60 anos.

E trocamos autógrafos em nossos livros. O dele eu levei de casa, pois já o tinha; o meu, dei a ele de presente. Aliás, vendi todos os livros que levei!



Vale dizer que no dia anterior, essa turma da IBFAN trabalhou a valer, zelando por nossas crianças - coisa que aliás é o que essa gente toda do ENAM faz. Em primeiro plano, Aline Sudo (RJ) e Marcela Calif Simas (SP).







Daí veio a nossa roda de conversa "Promoção do aleitamento materno", com Cléia Barbosa (MG) e Dra. Keiko (SP) mediando e Erica Witte (SP) , eu e Marcus Renato apresentando nossas visões. Falei da"Mamadeira: uma imagem cultural a ser desconstruída", e no final recebi um abraço da Dra. Keiko tão emocionado que fui ao céu. Porque receber abraço assim de quem sempre foi referência pra gente, só mesmo pirando.






E fomos pro almoço de van. Era bastante gente e a maioria pediu água. E veio água da Nestlé! Não teve um que não reclamasse... soube de gente que arrancou o rótulo pra beber, já que não tinha água de outra marca. Ah, toda vez que rejeito produtos da Nestlé as pessoas me olham de um jeito estranho e tenho que sair explicando. Dessa vez não foi preciso dizer um "ai".






E altos papos, altos encontros, com gente já tão querida (Ana Basaglia, Roberto Issler, Margareth Wekid, pessoas virtuais que se presentificaram (Orandina Machado) e laços fortes com quem a gente só conhecia de vista (Maria Lúcia Futuro).







Sim, esse papo estranho que eu vivo repetindo sempre que me dão chance é um trinado leve de uma canção entoada há muitos anos, por muita gente de muito valor, que luta pelo que de mais valioso se pode lutar: a vida.

Meu agradecimento a Marina Rea e a Rosana de Divitiis :o)










segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Entra ano, sai ano...




Entra ano, sai ano, e a Nestlé prossegue como uma marca muito bem vista pelos cariocas. Esse ano a pesquisa divulgada pelo jornal O Globo veio com categorias diferentes. Em anos anteriores a empresa recebeu o título de "A marca mais querida dos cariocas".

Ok, ok, as coisas têm sido assim mesmo, mas acho que vale reproduzir aqui os trechos que citam a Nestlé em três diferentes categorias, pra quem não teve acesso à publicação.

Então, vamos às categorias:

Respeito ao consumidor (a primeira colocada foi a Apple - pág 32-33):
Na segunda colocação no ranking, em vez de celulares e computadores, aparecem os leites condensados, farinhas lácteas e chocolates da Nestlé. A gigante suíça dos alimentos está no Brasil há 95 anos dos seus 150 anos de história e foi uma das pioneiras na atenção aos consumidores no país. Já em 1960, ela lançou um serviço de atendimento chamado então de Centro Nestlé de Economia Doméstica, que adotaria no futuro o nome de Serviço Nestlé ao Consumidor (SNC). O objetivo, naquela época, era ajudar as donas de casa a esclarecer dúvidas sobre a cozinha e sobre seus produtos; hoje, atende a todos os tipos de demanda de um milhão de clientes por ano por telefone, e-mail, chat, redes sociais e até carta. A empresa informa ter uma área exclusiva para serviço ao consumidor com 150 profissionais responsáveis por interagir com os clientes e transmitir suas opiniões ao restante da companhia. Parte das críticas e sugestões é usada no desenvolvimento de novos produtos. "Um interessante lançamento recente em que a presença do consumidor ficou clara foi o de Leite Ninho Zero Lactose Pó. Após o lançamento de Leite Ninho Zero Lactose UHT, o Serviço ao Consumidor recebeu várias sugestões e pedidos do lançamento do produto na versão em pó. Alguns consumidores acabaram fazendo parte do filme de lançamento do produto. Outro exemplo foi o lançamento das bebidas Nesfit, nova linha bebidas vegetais para consumidores que procuram por esse perfil de alimentação", diz a Nestlé em nota.

Respeito ao meio ambiente (a primeira colocada foi a Natura, seguida de O Boticário - pág 34-35):
A Nestlé ocupa a terceira posição entre as marcas que os cariocas reconhecem por respeitar o meio ambiente. A empresa reduziu em 57% a geração de resíduos destinados a aterros em 2015, e cinco unidades conseguiram o modelo zero resíduo: Araçatuba, Araraquara, Carazinho, Jataí e Nestlé Waters São Lourenço. "No Brasil, são executadas ações de modernização tecnológica, mudança de processos e melhorias no uso da energia, a fim de diminuir a pegada de carbono. Em 2015, foram 72 projetos específicos sobre o assunto. Como resultado, o país registrou queda de 2,9% na geração de emissões", informa a empresa.

Produtos infantis (a primeira colocada foi a Johnson & Johnson - pág 64):
Já a suiça Nestlé teve o Rio como porta de entrada no Brasil em 1876, quando um escritório no Centro começou a importar os produtos da marca, trazendo, de início, a Farinha Láctea. Em 1921, a cidade recebeu a primeira sede da companhia no Brasil. Esse ano a Nestlé [segunda colocada] lançou novas embalagens de sua linha de papinhas infantis, que passaram a contar com tampas estampadas com bichinhos. Para acompanhar a novidade, colocou as imagens dos animais disponíveis para imprimir e pintar a partir de sua página na internet. Pelo site, é possível, ainda, escolher dois kits temáticos para festas infantis, com o passo a passo para impressão.

Marketing incrível mesmo...

Mas precisamos nos informar e nos proteger daquilo que não está dito aqui.

Pesquisar faz bem.

sábado, 5 de novembro de 2016

Pensemos no futuro




Existirá uma fronteira máxima que delimite até onde podemos ir na prática de delegar às coisas/produtos a responsabilidade por executar ações que estamos capacitados a realizar?

Pensar à frente sempre nos conduz a cenários maniqueístas: ou nos deliciamos com nossa criatividade, em rota de livre e mirabolante expressão, ou nos alarmamos com o resultado da multiplicação exponencial dos problemas atuais. Acho que ambos os exercícios são necessários e muito úteis.

O problema está, eu acho, no fato de que não temos feito esses exercícios devidamente. Se as inovações tecnológicas vão chegando aos poucos, seduzindo a gente com seus apelos de modernidade e sempre propondo facilitar nossas vidas mais ainda, o futuro vai como que entrando em nossa corrente sanguínea e como que anestesiando nossas habilidades em realizar coisas simples, para as quais estamos plenamente capacitados.

Foi isso que percebi ao compartilhar no Facebook um vídeo (ver inteiro) sobre o berço The happiest baby, desenvolvido pelo pediatra Harvey Karp e pelo designer Ives Béhar, no MIT Media Lab (!!!!!) Eu estava horrorizada com o produto, assim como alguns amigos que compartilharam o post. Mas foram tantos os comentários positivos que o produto ensejou nos perfis deles, que tive que parar pra pensar no assunto.

A hora de dormir tende a ser um momento quase sagrado pras pessoas, antecedido por cuidados e rituais que antecedem o momento de a gente se desligar, descansar o corpo e lidar com sonhos.

Colocar bebês e crianças pra dormir me parece um momento mais sagrado ainda. Ainda hoje me lembro de minha mãe me tirando do início do sono porque eu não havia escovado os dentes. Ela me apoiava pelos braços e, concluída a tarefa, me devolvia pra cama com um beijo (juro que essa é pra mim uma memória deliciosa ahahah). Reproduzi isso com minha filha. Com ela, desde que era bebê, praticamos um embalar musical, discos ótimos, dança gostosa no colo. Quando foi crescendo, ela deitava no sofá com a cabeça em nosso colo, ora eu, ora meu marido, som na caixa e o sono vinha gostoso com um cafuné. Até que ela ficou tão grande e pesada que o pai deliberou: agora precisamos ter um equipamento de som no quarto dela! Isso pra não dizer das histórias dos livros, lidas em capítulos delimitados pelo fechar dos olhos dela, cuja continuidade era uma sedução pra hora de dormir do dia seguinte. Muitos, muitos livros. E nas noites mais difíceis, um conselho que rezava em si pra dar certo: filha, pensa em coisas boas :o)

Daí, me diz: você também não tem um monte de lembranças sobre a hora de dormir? Elas não têm um "Q" especial, ao menos algumas?

Agora considere embrulhar seu bebê do jeito que esse berço recomenda, todo amarradinho, e soltá-lo nessa máquina-de-fazer-dormir... E diga-se de passagem que ela deve custar os olhos da cara!

Olha, podia ser de graça que eu não a trocaria pela delícia de embalar uma criança, devagarinho, curtindo esse contato tão fundamental pro seu futuro.

Futuro?

As inovações tecnológicas, todas, têm seus prós e seus contras. Recomendo não se anestesiar do sentimento, do compromisso, do amor, do contato e do carinho.

E pra quebrar um pouco essa coisa idílica da minha visão, um pouco de realidade  pelo humor dessa mãe que permite com que nos identifiquemos com os problemas corriqueiros da maternidade.

Que tenhamos todos noites muito gostosas, como devem ser.





domingo, 9 de outubro de 2016

Sobre os recentes acontecimentos no Brasil


Die drei lebensalter - Gustave Klimt


Na última semana vimos a aprovação da PEC 241 pela Câmara dos Deputados, a fala da primeira dama Marcela Temer sobre o Programa Criança Feliz, e a carta aberta da ex-deputada gaúcha Manoela D'Ávila a Marcela.

Sobre a primeira notícia, compartilho da grande preocupação em ver as leis trabalhistas arrastadas pela correnteza neoliberal que prioriza os interesses econômicos, relegando a um plano inferior os interesses sociais, os direitos das pessoas. Estamos, há tempos, sob esse regime neoliberal, mas ampliar ainda mais esse passe é coisa grave.

Sobre o segundo ponto, não o estranho mais do que a tantas outras medidas que vêm sendo tomadas a nível federal. Na verdade faz muitos e muitos anos que tenho me disciplinado a torcer por nossos governantes, embora não tenha colaborado para elegê-los, e tal postura tenha realmente me trazido algumas boas notícias. Mas me incomoda, também,  o modo como são dirigidas as críticas ao caso, num discurso polarizado que "institucionaliza" ainda mais a incompatibilidade desses polos.

Justo isso motiva minha impressão sobre a carta da ex-deputada, recheada de informações relevantes e muito bem embasadas, mas nada diplomática (embora por vezes até tente parecer). Eu não esperaria diplomacia mesmo nessa correspondência e é exatamente isso o que me causa mais preocupação, essa coisa inconciliável.

Tenho tentado me manter afastada das discussões políticas, pelo fato de estar atravessando um momento de grandes perdas familiares, meus pais, e também por não me identificar com qualquer dos polos que protagonizam a cena. Mas como o assunto chegou à seara da infância, da maternidade e da paternidade, naturalmente me vi pensativa, e utilizo o blog pra dividir esses pensamentos, nada conclusivos - diga-se de passagem.

Há poucos dias eu li um artigo sobre o lançamento do livro de Márcio Tavares D'Amaral, no qual ele comentava a situação que atravessamos no Brasil:

O que perdemos hoje foi a convicção de que não estamos inteiramente certos, que não podemos ter certeza da totalidade da realidade. E que aquele de quem discordamos e que discorda de nós tem alguma coisa [algum motivo] para dizer o que diz. Não é louco, nem idiota. E eu quero saber qual é essa coisa. Isso supõe uma atitude de boa-fé e está sendo impossível (aqui).

Tenho plena consciência e entendimento de que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) altera as leis trabalhistas e abre as portas para regimes exploradores de trabalho, privilegiando o lucro das empresas, e penso no quanto isso nos inclui ainda mais no cenário de exploração mundial que permite a produção das coisas que, é preciso dizer, aqui e em tantos outros lugares prosseguimos consumindo (como roupas, calçados, eletrônicos e alimentos de marcas consagradas no mercado ). A cultura do consumo alimenta esse sistema, a força das estratégias de comunicação nos faz confiar nessas marcas, nos faz nem querer pensar em como esses produtos foram produzidos. Claro que muitas coisas vêm mudando, mas o poder das grandes corporações está longe, longe de ser vencido.

Pelo pouco que li sobre o Programa Criança Feliz, vejo que o problema realmente está na conjunção entre ele e a PEC aprovada, pois se mudam as leis trabalhistas, quem cuidará das crianças? Essa minha frase pode parecer ingênua, mas foi isso que entendi, que a licença maternidade de seis meses - recente conquista, poderá vir por água abaixo.

Poderá? Isso e todas as consequências dessa medida são muito, muito graves.

Daí me lembro de uma coisa chamada "questão de Estado".  Uma questão de Estado está livre das diferentes condutas dos governos, mantendo-se assegurada, com mais ou menos incentivo no decorrer dos anos, mas firme graças à atuação de seus defensores e representantes.

Então, é assim: nenhum governo brasileiro conteve o crescimento das indústrias de fórmulas infantis, financiando inclusive sua entrada e permanência em nosso território, mas todos os governos, em maior ou menor medida, incentivaram a política de Bancos de Leite Humano, ao ponto de hoje sermos referência mundial nesse setor. O mesmo para as leis de controle de comercialização desses produtos, arduamente batalhadas por muito tempo e finalmente aprovadas. Não que isso resolva, porque não resolve, mas é a realidade que vivemos.

Já trabalhei para o governo (do estado do RJ) durante alguns anos. Durante esse período, vi projetos sendo engavetados a cada vez que mudava o responsável pela Secretaria....

O que penso é que há coisas que precisam ser mantidas, protegidas, salvaguardadas como políticas de Estado. Essas coisas têm atributos capazes de reunir em torno de si polos antagônicos.

Têm?




sábado, 24 de setembro de 2016

Um olá




Hoje vou só colocar essa foto. Adoro fotos tiradas com tele-objetiva, bem de longe, porque entre a câmera e quem é fotografado, tem a naturalidade.

Ela brincava com o tubinho vazio do filme. Estávamos no jardim da casa de meus pais, nossos olhinhos mais pequenininhos ainda por causa da luz.

Vendo os extratos dos bancos aqui, anoto que preciso preparar o orçamento de outubro. Daqui a pouco já vai chegar de novo o Natal.

As câmeras de hoje são digitais, meu cabelo tá grisalho, sem óculos só enxergo vultos. Ela é muito mais alta do que eu e as imagens e histórias tomaram vulto em sua vida.

Nessa foto só tem duas pessoas, mas na verdade tem três: a terceira foi quem nos viu e registrou assim, o pai dela. Sempre vejo três nessa foto.

Ele agora foi comprar um vinho pro jantar, ela tá dormindo um pouco, e eu dei de flanar pelo blog só pra dizer um olá.