quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Há também boas notícias




A gente sabe que a euforia com a chegada de um novo ano não demora a ver frustrada aquela esperança toda de felicidade, paz e prosperidade.

No mundo, começamos o ano com o atentado em Paris e o prosseguimento dos massacres na Nigéria. No Brasil prosseguimos com a sequência diária de violência contra inocentes, roubalheira nas instituições, esgotamento de recursos naturais etc.

Mas o fato é que precisamos seguir vivendo, e para isso precisamos nos alimentar com as coisas boas que felizmente também acontecem. Elas nos suprem com energia para aguentar as pressões e também para contribuir de alguma forma no sentido de que essas pressões diminuam.

Pelo segundo ano consecutivo o Papa Francisco incentivou a amamentação em público durante a cerimônia de batismo na Capela Sistina, em Roma.

Tive a alegria de ser consultada pela jornalista Dandara Tinoco, do jornal O Globo, na matéria publicada nessa última segunda-feira.

http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/declaracao-de-papa-em-defesa-da-amamentacao-em-publico-elogiada-por-mulheres-15024896

A repercussão das palavras do Papa, sem dúvida, está mudando o destino de muitas crianças e de suas famílias.

Isso é verdadeiramente valioso.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Quem dera!



Não são apenas os produtos tangíveis da indústria que precisam ser periodicamente avaliados pra que se tenha revista a sua adequação ao estágio de conhecimento alcançado, à realidade social etc. Produtos intangíveis da indústria "cultural" também podem fazer um belo dum estrago. Baboseiras ditas para ganhar audiência acabam influenciando as pessoas de uma forma inacreditável e podem demonizar condutas as mais louváveis, num eficaz serviço de desinformação.

Há poucos dias, recebi pelo Facebook a notícia de que Michele Maximino - a maior doadora de leite materno do Brasil, depois de protagonizar uma "simples piada" (segundo o próprio) do humorista Danilo Gentili em programa de TV de 2013, tornou-se alvo do escárnio de muitos e decidiu, junto à sua família, mudar de cidade para tentar um recomeço de vida.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/02/maior-doadora-de-leite-materno-do-brasil-perde-batalha.html

Fico pensando em como estará se sentindo Michele... Difícil saber.

Mas é fácil imaginar como estarão se sentindo os inúmeros bebês salvos por suas doações. Michele salvou muitas vidas: as vidas dos bebês que se alimentaram com seu leite e de todas as pessoas de suas famílias, ao vê-los não morrer e lutar pelo restabelecimento de suas funções biológicas.

Daí eu me pergunto se essas pessoas não poderiam ajudar a virar esse jogo e, de quebra, contribuir para o esclarecimento dos tantos outros que "embarcaram" na tal piada.

Mas talvez a coisa seja meio assim: tem-se o filho, ele precisa de leite doado, o hospital dá o leite e quem o recebeu visualiza isso como uma coisa institucional, sem ninguém por traz...

Isso pode mudar? Os bancos de leite podem fazer algo a respeito também sobre isso (já fazem tanto, mas será que podem contribuir para que as famílias contempladas com a doação a valorizem?).

Sei que o principal seria chamar à responsabilidade os profissionais que, como Danilo, lançam palavras ao vento que podem ganhar um poder incalculável de disseminação. Que máximo seria se ele voltasse atrás, se dedicasse um de seus programas a rever tudo, devolvendo a Michele a real notoriedade que sempre mereceu...

Olha, presto muita atenção ao que as pessoas dizem porque tudo o que se diz e se faz deixa marcas. Boas ou ruins. E não existe nada que as apague, mas. sim, pode haver algo que as corrija para sua real significação.

Desejo que no ano que se inicia Michele e sua família recebam o devido reconhecimento pelo imenso bem que fizeram a tantos, e recupere a sua paz.







sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Olha, vale a pena tentar!

Pintura da artista norte-americana Anna Rose Bain


Escrevo hoje para sugerir aos leitores que trabalham em empresas privadas que apresentem a seus chefes a ideia de adesão à extensão da Licença Maternidade.

Hoje está em vigor a licença de 4 meses, mas o governo há algum tempo autorizou que o benefício seja estendido para 6 meses.

Para as instituições públicas, a licença de 6 meses é lei, mas as privadas têm liberdade de decidir sobre essa adesão...

O que me motiva a encorajar os leitores do blog é o fato de que isso aconteceu na PUC-Rio. Ontem fiquei sabendo da portaria que informou a todos os setores da Universidade que as mães poderão desfrutar dessa licença estendida, o que me deixou exultante.

E como participei desse processo, reparto aqui com vocês o argumento apresentado para tal mudança, pois ele é realmente eloquente.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem água, chás ou sucos) pelos 6 primeiros meses de vida. A partir daí a amamentação pode e deve prosseguir junto a outros alimentos até os 2 anos ou mais. 

Os 4 meses, portanto, não são compatíveis com a recomendação do órgão internacional.

É claro que é preciso esclarecer os chefes e o pessoal de Recursos Humanos da empresa sobre os problemas causados por essa cultura industrial que delega à mamadeira e aos leites artificiais a alimentação das crianças. Mas há material farto na internet para documentar isso, aqui no blog mas principalmente em sites como OMS/Unicef, IBFAN, WABA e muitos outros links pra lá de confiáveis. Monta-se uma pasta com algumas dessas matérias e se parte pra uma boa conversa.

Ao se falar sobre o assunto, as pessoas vão se chegando, com sorrisos e muita esperança no olhar. Sobre a importância de zelar pela relação mãe-bebê qualquer pessoa entende :o)

Além disso, considero valiosa a contribuição dada à causa por Papa Francisco, (declarações dele no verão passado) pois independentemente do fator religião ele é um líder internacional de grande reconhecimento. Tem muita coisa bacana pra baixar sobre isso na internet.

Eu estou feliz da vida aqui por esse tão importante caminho ter sido aberto no lugar onde trabalho. Ainda há muito a fazer, como estender também a licença paternidade (que hoje é de 5 dias úteis apenas) e montar uma sala para que as mães que amamentam possam colher seu leite durante o expediente de trabalho (quando retornarem da licença), guardá-lo de maneira refrigerada e levá-lo para seus bebês, pois assim prosseguirão produzindo o melhor alimento que seus filhos podem receber por mais algum tempo. A Anvisa tem um documento sobre isso disponível em pdf.

Nesse mundo maluco, onde um ritmo acelerado nos é imposto pela tecnologia e onde nos horrorizamos com crianças sendo esquecidas em automóveis etc, o reconhecimento de nossas capacidades humanas naturais se faz essencial. Sabemos que nada nem ninguém é dotado a superar a sapiência da natureza.

Eu compus na PUC esse grupo que, devagarinho, foi fazendo tudo acontecer, com Ivone, Mazini, Marisa, Regina, Dr. Álvaro, alguém da Assessoria Jurídica de quem nem fiquei sabendo o nome ainda, os Vice-Reitores Administrativo e Comunitário e nosso Padre Reitor.

Sem dúvida, um valioso presente de Natal! :o)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

É importante que se diga



Todos sabemos o quanto é prazeroso ver a reação das pessoas a quem trazemos boas notícias, relatos tranquilizadores, surpresas capazes de empolgar.

Quisera pudéssemos sempre ser mensageiros das coisas boas ...

No trabalho de divulgação da minha pesquisa sobre as mamadeiras, ao contrário dessa boa sensação, costumo dizer que "falo aquilo que as pessoas não querem ouvir".

Infelizmente há coisas que precisam ser ditas, mesmo que contrariem totalmente a definição deste primeiro parágrafo do post.

Mas o interessante é que, para alguns, essas "coisas que não se quer ouvir" são "as coisas que, cada vez mais, se quer ouvir". Essas pessoas são aquelas que já sabiam de tudo e que se comprazem ao receber mais pessoas que, como elas, prossigam com o trabalho de dizer essas coisas, pra todo mundo.

Dessa maneira, bem recebida, me senti na semana passada, em Manaus, durante o  XIII Encontro Nacional do Aleitamento Materno.







Em cada conferência que assistia, a cada pergunta lançada da platéia, nas conversas, nos quiosques, nas mesas de refeições, um montão de pessoas, de vários países, que trabalham em prol da imperiosa causa da segurança alimentar infantil. Gente para quem uma pesquisa dedicada a alertar as famílias e profissionais de várias áreas de que a mamadeira é perigosa, representa uma voz a mais, um alívio, um conforto.

Aprendi muitas coisas novas, tive diante de mim figuras importantíssimas que iniciaram toda essa luta, dentre as quais aqueles de quem já me tornei amiga e com quem venho trabalhando em alegre e produtiva colaboração.

Dentre as coisas que aprendi, mais uma coisa importante que eu elencaria dentre as coisas que "preferíamos não saber", é que o Brasil recebeu nota ZERO no quesito "alimentação infantil durante as emergências", o que sinaliza que não "existem políticas e programas adequados para garantir que as mães, bebês e crianças recebam ajuda e proteção adequados para apoiar a alimentação infantil ótima durante as emergências" (Situação da estratégia global para alimentação de lactentes e crianças de primeira infância - Boletim 2014 da World Breastfeeding Trends Initiative).

Em outras palavras, não há qualquer preparo para que, nas situações de emergência que se fazem cada vez mais frequentes no mundo, os brasileiros possam recorrer a práticas seguras de alimentação de bebês e crianças de primeira infância, dentre elas o incentivo à amamentação.

                                                  Palestra de Marcos Arana Cedeño

Quando houve a tragédia de Teresópolis e Friburgo, no Rio de Janeiro, há poucos anos atrás, uma amiga enfermeira me relatou o seguinte caso: ao visitar uma das cidades junto a outros voluntários, ela se deparou com uma mãe desabrigada que alimentava o filho recém nascido com uma mamadeira. Ao ser perguntada sobre o motivo de estar alimentando o bebê daquela forma, a mulher respondeu:

"_ Eu estava amamentando, mas as equipes de ajuda me deram a mamadeira e o leite... entendi então que isso deve ser melhor para o meu filho..."

Daí, recorrendo àquilo que falam as pessoas "que dizem coisas que não queremos ouvir", ressalta-se que, depois de um desastre natural, não há água (para hidratar o leite em pó nem para higienizar com toda a perfeição exigida uma mamadeira) nem mínimas condições sanitárias. Nessas ocasiões, a amamentação é uma benção, e a preocupação que se deve ter é em alimentar e hidratar as mulheres que podem aleitar seus filhos.

Deus proteja o Brasil e prossiga dando energia a esses obstinados ativistas, que com seu trabalho incessante têm salvado muitas vidas.


domingo, 9 de novembro de 2014

Com os leitores, a palavra

A gente pesquisa um assunto, escreve sobre ele e o publica em livro. No decorrer dessas etapas, vamos colhendo inúmeras contribuições e impressões dos colegas, expressões entusiasmadas de leitores e do público que assiste às apresentações, além de merecer resenhas como as que escreveram sobre meu livro "Amamentação e o desdesign da mamadeira" o pediatra Luis Tavares, a jornalista especializada em design Ethel León e o designer Jorge Frascara. Além, é claro, do texto de apresentação da publicação, redigido por Rosana de Divitiis, da IBFAN Brasil.

Todas essas impressões, ditas, escritas ou "olhadas" é que concedem sentido ao que foi realizado.

É o leitor a parte mais importante da história toda. Como reage àquilo que o livro relata? Como considera o conteúdo escrito? Em que medida esse conteúdo pode contribuir para o esclarecimento do leitor e uma sua mudança de postura diante do objeto criticado?

Projetamos objetos para serem usados, por isso a opinião do usuário é que dará sentido ao produto; escrevemos para que o texto seja lido, e por isso é a opinião do leitor que credenciará ou não nosso trabalho.

Muito bem. Sou professora da PUC, do curso de Design, e lá, dentre as disciplinas, há uma de nome "Análise e produção do texto acadêmico", ministrada por duas professoras de Letras.

Fala-se tanto do alto nível de integração e cumplicidade dos irmãos gêmeos, não é? Pois essas duas professoras são irmãs gêmeas e decidiram, as duas, adotar meu livro em suas turmas de calouros. O livro é dividido em partes que são apresentadas, em seminários, pelos alunos. Ao final, uma resenha sobre todo o conteúdo é escrita.

Compartilho aqui alguns dos trechos dessas resenhas:

Podemos levar em conta que a mamadeira é apenas um dos inúmeros elementos (produtos) consagrados em nossa sociedade que devem sofrer o 'desdesign', como o cinto de segurança e até mesmo sachês de ketchup. O que nos é apresentado como símbolo de progresso e modernidade pode significar, na realidade, um retrocesso. Deste modo, o livro não provoca apenas a reflexão acerca da mamadeira e da inquestionável superioridade da amamentação, mas também faz com que o leitor se sinta encorajado a repensar, criticamente, toda a influência da cultura do consumo e a sedução por meio do design que acaba por alienar nossa sociedade. O texto de Cristine não é apenas informativo ou argumentativo, há todo um caráter educativo que enriquece a mente dos designers em formação, mostrando servir como um instrumento de avaliação do papel do designer, fundamental para quebrar os estereótipos da atuação deste profissional (Maria Isabel Mariz May Carmo).

Trata-se de uma obra capaz de mudar a maneira com que um indivíduo age perante a questão problematizada, além de dar mais visibilidade à luta pela amamentação (Taiane Amaral Viceconte).

A metodologia de 'desmontar' o produto até seu conceito matricial de funcionalidade é vital para qualquer designer (Ernani Valente).

Em meio a uma sociedade movida por valores estéticos e capitalistas é um verdadeiro alívio ver que ainda existem pessoas que se mobilizam e se debruçam por causas como essa. É seguro afirmar que quem ler o livro de Cristine Nogueira Nunes nunca mais irá olhar para uma mamadeira da mesma forma (Maria Guimarães Flexa Ribeiro).

As informações presentes na obra de Cristine são chocantes e, ao mesmo tempo, importantes, principalmente para que os designers dessa geração possam projetar um substituto eficaz e saudável para a mamadeira. O copinho, defendido pela professora, seria uma boa solução para extinguir a mamadeira de vez (Bruna Ramalho Atanes).


A iniciativa das professoras Maria de Lourdes Sette e Fátima Santos, faz com que a informação sobre os problemas da mamadeira chegue aos jovens, mais especificamente aos jovens designers.

Que a indignação e a disposição à inovação conduzam a carreira desses alunos. Muito obrigada por esse retorno tão especial ao meu trabalho, que na verdade espelha para a área do Design uma luta internacional que já dura muitos anos, travada por um sem fim de ativistas, profissionais e pesquisadores, a quem rendo minhas mais sinceras homenagens.

domingo, 2 de novembro de 2014

Criei coragem... e fui!


Viajar, pra mim, é tudo.
De uns tempos pra cá, tem sido possível conhecer aqueles lugares que existem, simultaneamente àquilo que podemos enxergar em nossas rotinas.

Estive em Berlim.
Céus, que coisa impressionante é aquela cidade..., onde deparamos com os extremos que caracterizam a humanidade: o que há de mais torpe e louco, e bárbaro, e também o que há de sublime, de arte, de capacidade de reconstrução, de convivência com a dura realidade.

Eu sabia de antemão que quando chegasse lá, eu iria me render. Não deu outra.

Sou designer. Minhas referências estão na Alemanha, na Bauhaus, na Escola de Ulm. E como aluna da ESDI sempre valorizei muito tudo isso, compreendendo que nenhum colonialismo cultural abafa o que somos, mas que essas fontes nos são caríssimas.

Bom, por via das dúvidas, como sempre faço, carregava um exemplar do meu livro "Amamentação e o desdesign da mamadeira" na mala. Vai que...

Numa noite, despertei de madrugada e pensei: atenção! vou no Bauhaus Archive amanhã! Meu livro! Será?

Não por vaidade, mas por senso de oportunidade, pensei: o que fiz foi referendar, como designer, a grande causa da denúncia do quanto as mamadeiras fazem mal aos bebês. Estou em Berlim. Respiro fundo, tampo o nariz, crio coragem e doo um exemplar da minha pesquisa pra biblioteca da Bauhaus.

O dia amanheceu e eu prossegui determinada. Ao chegar lá, o rapaz da Bauhaus Shop achou a ideia ótima, e ainda me disse que a secretária da biblioteca era brasileira \o/

Eu procurei por Sulaine Herbig, uma mineira de Araraquara que tem a maior pinta de alemã, e contei do meu intento.


Deixei o livro em suas mãos. Fui muito bem recebida.

Quem sabe, algum dia, alguém por lá o folheie...

Esse trabalho é mesmo assim, devagarinho, deformiguinha, porque a causa é forte.

sábado, 11 de outubro de 2014

Fraldas, mais uma vez



Na última segunda-feira, dia 6 de outubro, o caderno Economia de O Globo estampava em sua capa, sob o título geral "Mudança de hábito", a matéria "Mais renda, mais fralda descartável", de Glauce Cavalcanti e Letícia Lins. Como subtítulo, a frase: Brasil já é o terceiro maior consumidor do planeta. Em cinco anos, mercado cresce 70%. Na imagem, uma mãe que criou a primeira filha com fralda de pano e hoje, satisfeita, relata gastar até R$ 150,00 em fraldas descartáveis para a caçula. http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-consumidor-de-fralda-descartavel-do-mundo-14151637

O texto da matéria é tão, mas tão auspicioso que se revela perturbador, exemplo de como a confiança que depositamos nos meios de comunicação pode tornar inativa e dispensável nossa capacidade de discernir, de refletir sobre a questão tratada como um todo. E, até onde eu sei, o jornalismo tem por princípio apresentar as várias facetas do assunto que se propõe a noticiar, para que a imparcialidade dê o tom. Mas sabemos, há muito tempo, que existem "matérias compradas", e talvez seja esse o caso...

Num dos primeiros parágrafos, a frase em referência à mãe da foto: "Edicarmen é exemplo do processo de sofisticação do consumo no país".

É fato que a fralda descartável trouxe praticidade para as famílias, mas é fato também que o lixo gerado pelo seu uso é simplesmente apagado, ignorado, afastado dessa matéria que comemora o aumento da produção e consumo desse produto.

Não repetirei aqui os dados que podem ser conferidos no link acima. O que vou fazer é acrescentar aos números auspiciosos colocados em destaque, alguns outros números, nos mesmos termos, aos quais conseguimos chegar com facilidade e que nos proporcionam uma visualização no mínimo perturbadora.

Na matéria:

US$ 2,4 bilhões
Foi quanto movimentou o mercado de fraldas descartáveis no Brasil no ano passado

13,6%
Foi o percentual de aumento do consumo só no Nordeste.

29% de expansão
Foi quanto cresceu o total de vendas em 2013.


Na nossa conta:

2.555 fraldas
É o quanto um bebê, em seu primeiro ano de vida, e gastando 7 fraldas descartáveis por dia, utiliza durante um ano.

4.015 fraldas
É o quanto será totalizado ao final do seu segundo aniversário, considerando-se que após completar um ano de vida, a criança passará a gastar quatro fraldas por dia (o que é menos do que se gasta).

4380 fraldas
É o quanto terá sido consumido ao final de três anos, já que o conforto é tanto que vale prosseguir reservando ao menos uma fralda por dia, para a criança dormir e em eventuais passeios.

Número incontável
É a quantidade de fraldas descartadas nos aterros sanitários desde que elas começaram a ser consumidas pelas famílias (que até então sempre se viraram com a fralda de pano e hoje tendem a não mais sequer considerar o seu retorno), lembrando que o número aí de cima diz respeito a UM bebê (que se for menina consumirá no futuro 10 absorventes higiênicos por mês durante os quarenta anos de seu período fértil e, meninos e meninas, se viverem muitos anos, consumirão também fraldas descartáveis quando ficarem velhinhos). E tem propaganda de absorvente pra ser usado todos os dias...

Não se pode negar que as fraldas descartáveis trouxeram inovações que realmente facilitam a vida das pessoas e o conforto dos bebês. Mas tais inovações já migraram para projetos muito interessantes de fraldas de pano, como a produzida pela Morada da Floresta. Vale conferir, assistir aos vídeos e constatar que existe, sim, uma saída para a questão http://fraldasecologicas.art.br/

Na primeira imagem, os atributos de uma fralda descartável. Na segunda imagem, esses mesmos atributos absorvidos por um projeto antenado e inteligente de fralda de pano.