domingo, 10 de abril de 2016

Ouvir e desenhar






Volta e meia ganho de presente alguns desenhos daqueles que me ouvem falar sobre as mamadeiras, ou de amigos.

Esse primeiro desenho aí de cima foi de um aluno de Design da PUC, das turmas das professoras de Português Fátima Santos e Lourdes Sette, sobre textos científicos.



A primeira vez que apresentei minha pesquisa foi no México, num congresso super marcante na Universidad Iberoamericana. Ganhei o desenho de um aluno de design que assistia à palestra. Não sei seu nome.



Aí vêm os amigos. André Cortes é meu colega na PUC e me deu de presente essa sereia-mãe.

Ah, e esse foi muito divertido. Ao chegar no aeroporto de Porto Alegre (lançamento do meu livro na UFRGS), eis que vejo esse cartaz nas mãos de quem veio me buscar. Era Roberto Issler, pediatra gaúcho. Rimos muito!


Pra terminar, essa me foi enviada por Daniela Fuscaldo (eu não a conheço), que fotografou a filha ou filho me assistindo no Congresso Virtual de Amamentação

Registros muito especiais :o)

sábado, 26 de março de 2016

Por que amamentar?



Reconhecimento é uma coisa importante.

O Brasil foi reconhecido por pesquisa publicada em artigo científico na revista The Lancet como o país onde os esforços em prol da amamentação vêm surtindo os melhores resultados do mundo.

Tais resultados são fruto de esforços governamentais no decorrer de muitos anos, somados à intensa atividade da sociedade civil, organizada em grupos tais como redes nacionais de iniciativas internacionais, grupos de mães, sites, blogs, atuação pessoal de profissionais de vários setores da saúde etc.

Vale a gente atentar, nesse momento em que a população brasileira se encontra tão dividida em termos políticos, que o empenho pelo aumento das taxas de aleitamento materno é uma política de Estado, como bem pontuou Marina Réa na rápida conversa que tivemos semana passada (no seminário sobre a NBCAL, na Fiocruz). Esgueirando-se da fortíssima pressão das corporações que fabricam fórmulas lácteas e da violenta força da cultura do consumo, a experiência multiplicável (e como!) dos Bancos de Leite persevera, assim como são alcançados resultados em tantas outras frentes.

Quisera muitos outros problemas que enfrentamos neste país conseguissem merecer essa atenção continuada do Estado...

Mas a pesquisa em questão -que na primeira parte linkada acima demonstra com números eloquentes (e completamente preocupantes) a situação do aleitamento materno no mundo- vem a ser completada pela segunda parte do artigo. Um texto forte, impressionante, do qual destaco a seguinte frase:

"A melhora nas práticas de amamentação poderia prevenir, a cada ano, as mortes de 823.000 crianças menores de 5 anos e de 20.000 mulheres por câncer de mama".

Por que amamentar? Por isso. Além dos 4.567.543.221.344.545.565 MIL motivos que ainda não foram quantificados por artigos científicos, mas estão na ponta da língua de quem protege e tem a chance de praticar a amamentação.

terça-feira, 1 de março de 2016

Sobre copos de transição: mas nem eles?





É mesmo complicado a gente se deparar com um monte de "senões" a produtos lançados pela indústria pra facilitar as nossas vidas...

Quero tratar aqui do caso do copo de transição, produto concebido para propiciar a passagem do bebê do aleitamento materno (ou alimentação artificial por mamadeira) para o copo comum.

Para a criança, deixar de realizar a sucção no seio materno ou a "apertação do bico da mamadeira contra o céu da boca" e passar a beber líquidos em um copo, de golinhos, é realmente uma mudança significativa, um processo delicado. Daí a indústria concebeu esse produto, o copo de transição, para solucionar a questão com conforto e segurança.

Conforto e segurança?

O conforto eu acho que ela nos possibilita sim ou pelo menos nos faz crer que possibilita. O fato é que a gente desenvolveu uma paúra, um terror pela ideia de que, ao beber num copo, a criança vá derramar tudo, sujar tudo, dando um trabalhão pra limpar e, pior ainda, vá se engasgar direto (pouco ou nada se fala sobre os muitos casos de crianças que se engasgam com a mamadeira, mas soube por colegas pediatras e fonoaudiólogos que esses casos são comuns em emergências de hospitais).

O medo da sujeirada conta, e conta muitíssimo, vamos admitir. Nessa "onda" de achar que podemos ficar livres da sujeira, já nos tornamos (muita gente) dependentes das fraldas descartáveis e estamos nos enamorando (muita gente) dos alimentadores ou "redinhas", aquele tipo de chupeta gigante que propõe que as frutas e alimentos sejam colocados em seu interior para, macerados e intermediados por um bico de silicone perfurado ou por uma rede de fios, "facilitarem" o contato das crianças com os novos alimentos.  Mas como já comentado aqui em posts anteriores, com esses produtos podemos até achar que nos "livraremos" da sujeirada, mas só num primeiro momento, porque o volume de lixo gerado pelo uso das fraldas é inimaginável, e cercear o contato das crianças com frutas, sua forma, textura, gosto natural é algo que beira a insensatez. Eu acho que é insensatez mesmo...

Agora, segurança as indústrias nem sempre nos possibilitam não, embora nos digam justamente o contrário em peças publicitárias lindas e até comoventes. E tenho arrepios quando ouço frases do tipo "a comunidade médica recomenda", "qualidade assegurada por renomados pesquisadores" e coisas do gênero, porque a gente sabe que muitas vezes isso é balela, fruto de combinações de interesses financeiros entre as partes ou mentira mesmo.

Daí conto uma história:

Logo que defendi minha tese, "O desdesign da mamadeira", o feito foi publicado em algumas revistas e links renomados. Numa bela tarde, recebi o telefonema de um fabricante de produtos para mães e bebês, e como eu já iniciava junto ao Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira o projeto de um copinho (esse projeto não foi adiante, infelizmente), fiquei toda animada. Mas eles me perguntaram se eu daria meu endosso, como pesquisadora de Design com tese de doutorado recém defendida, a um copo de transição com bico. Eu disse que não. De tudo o que estudara e ouvira durante minha pesquisa, o bico não é aconselhável para bebês, em quaisquer fases. Então sugeri que eles procurassem o Banco de Leite (só que eu sabia que eles não apoiariam). Argumentei que o endosso de especialistas da saúde seria o mais adequado para a iniciativa de produção de tal produto (o ok de uma pesquisadora de Design é valioso sim, mas essa minha profissão vem, erroneamente, sendo valorizada por conceder estilo aos produtos, e intuí que poderia haver um uso distorcido do meu trabalho).

Mas esse telefonema contribuiu pra que eu ficasse mais ligada ainda nos lançamentos da indústria voltada aos cuidados com os bebês. já que a minha questão de fundo é a necessidade de avaliação da produção industrial.

Então vamos ao cerne da questão. Por esses dias encontrei no Facebook, finalmente, um artigo que super merece leitura sobre os problemas do copo de transição. Crianças ficando doentes com muita frequência, sem motivo aparente, os pais vão lá, abrem a válvula (que é lacrada!) do copo de transição da Tommee Tippee (dinamarquesa) e encontram a seguinte situação:









Céus, não existe nome pra isso... eu fico pensando nos designers que projetaram um troço desses...

Vale a leitura, no final, da carta da Tommee Tippee, direcionada aos "pais preocupados" com a questão, dizendo que eles vendem esse copo a rodo pelo mundo e não tiveram queixas, que é um sucesso, que são muito preocupados com a segurança de seus produtos bla-bla-bla, que nas instruções é dito que só podem ser colocados líquidos frios, coados etc, bla-bla-bla, que no manual tem instruções para a limpeza do copo, mas que darão toda a atenção ao caso... Ok, o fato é que são raras as pessoas que lêem os manuais de produtos como mamadeiras e copos... lá tem uns avisos sinistros, mas ninguém lê e assim as indústrias se protegem, citando que avisaram no manual. Mas nada salva, o treco é lacrado, e mesmo que a gente coe, lustre ou seja o que for, qualquer saliva, qualquer resquício de açúcar, restinho de fruta tem que ser integralmente retirado dos locais onde colocamos a boca, senão estaremos expostos a mofos, ao crescimento de microoganismos nocivos à saúde.

O que venho defendendo é que nós, consumidores, temos todos a capacidade de olhar para os produtos e refletir: será que isso presta mesmo? Não precisamos ser especialistas pra percebermos falhas de projeto nas coisas, ao menos em algumas delas. Ok, o problema é que as marcas são confiáveis, suas propagandas são incríveis, seus produtos são lindos. A questão é essa, não confie nas marcas, analise você, com seu bom senso. Todos nós sabemos que as bactérias existem, por exemplo.

Daí, compartilho agora o link do blog Prolactare, da Dra.Cristiane Gomes, em artigo detalhado sobre os males causados por esse copo de transição do ponto de vista da fonoaudiologia. E também sua matéria de hoje sobre aquelas tais "redinhas" (blog de fonoaudióloga ) pro bebê comer fruta. Vejam o quanto esses textos são esclarecedores.

Céus....


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tão perdidos quanto cego em tiroteio




A cada dia que passa, leio notícias atribuindo o surto de microcefalia a diferentes motivos. Primeiro se falou de vacina, depois o governo brasileiro concluiu que era culpa do Zica vírus. Li artigos perturbadores culpando um componente químico da Monsanto, utilizado como fumacê para acabar com o mosquito, que acaba por infectar a água que consumimos. E hoje me deparei com artigo em blog de um jornalista independente que nos reporta pesquisa de instituição australiana, apresentando argumentos que culpabilizam a vacina dTPA (tétano, difteria e coqueluche acelular), introduzida no calendário obrigatório de vacinação de gestantes desde o final de 2014, como medida preventiva contra o ressurgimento da coqueluche no Brasil:

"O problema é que a vacina não estava plenamente testada e aprovada para gestantes, conforme o próprio fabricante e autoridades sanitárias estrangeiras".

Os argumentos apresentados pela pesquisa nos parecem muito coerentes. E o problema é que tudo o que lemos nos parece coerente...

Como é que a gente pode se proteger em meio a esse "tiroteio"? Eu não sei. É arriscado ficar sem passar repelente, arriscado não tomar vacinas etc.

O que eu consigo pensar não é nada tranquilizador: grosso modo, não sabemos onde estamos metidos. A indústria vive de nos ofertar soluções mágicas para os nossos problemas (como a mamadeira, os leites artificiais e tantas outras "facilitações" para a lida com os pequenos); agentes químicos que desconhecemos redondamente estão naquilo que comemos, respiramos, vestimos; as farmácias monopolizam o espaço comercial das ruas, demonstrando o quanto tem sido rentável se recorrer a remédios para quaisquer males.

Eu adoraria escrever aqui, agora, algo bem sensato e tranquilizador, mas esse artigo anda "em falta".

O que vibra em mim é, cada vez mais, uma consciência danada de que vivemos uma época muito doida, estamos expostos a coisas que desconhecemos, e que nossa participação ativa nesse roldão (por simplesmente viver e acreditar naquilo que nos dizem) o potencializa.

Bom dia e boa sorte.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Uma boa notícia


Ilustração Cláudius Ceccon
A Rede Nacional Primeira Infância reúne um monte de iniciativas (pessoas, organizações da sociedade civil, do governo, do setor privado) na tarefa de garantir os direitos das crianças de zero a seis anos. Sua finalidade é edificar políticas públicas legitimadas por toda essa representatividade.

Há pouco venho me aproximando do entendimento sobre a importância das políticas públicas. Sempre achei esse termo muito vago, e meu cansaço de brasileira descrente na "coisa pública" me afastava da capacidade de dar crédito a ele.

Até que fui me embrenhando na pesquisa sobre os males da mamadeira e deparando com os esforços, tantas vezes frutíferos, de uma turma enorme de gente que se dedica a modificar coisas que precisam muito ser mudadas. Só pra citar alguns casos, a gente tem:

- a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (que já é Iberoamericana), considerada a tecnologia mais avançada do mundo pela OMS/ONU;
- tem a IBFAN Brasil que monitora o Código Internacional de Substitutos do Leite Materno (ou seja, as investidas da indústria) e alcançou recentemente a aprovação da norma de controle desses produtos;
- tem um monte de pessoas que nos garantem informação e pesquisa sempre atualizada sobre o tema, como o site aleitamento.com, o do Banco de Leite e o da IBFAN Brasil;
- tem os grupos de mães que saem fazendo mamaços pra divulgar as benesses da amamentação e reagir às coibições ao aleitamento em lugares públicos e acabam conseguindo leis que garantam esse direito (pelas quais temos sempre que seguir lutando, pois leis ajudam mas não resolvem tudo).

Essas pessoas trabalham pra caramba, há muito tempo, não em troca de um salário, mas de dignidade.

E cheguei a experimentar essa incrível sensação na prática quando, depois de um ano compondo um grupo que foi se organizando com muita fluidez, chegamos à adesão da PUC-Rio à Licença Maternidade de 6 meses (era de 4, o governo já tinha autorizado, mas as empresas particulares precisam aderir). Já falei sobre esse ponto aqui no blog, mas vale repetir que isso resultou numa melhora significativa de qualidade de vida para alunos, funcionários e professores. Uma coisa que veio pra ficar.


Como eu disse, as leis ajudam, mas não resolvem tudo. É necessário que depois de projetadas, aprovadas e implementadas, sejam divulgadas às pessoas pra que venham a ser usufruídas, defendidas e absorvidas pela cultura.

Daí é que volto pra Rede Nacional Primeira Infância, que comemora a recente aprovação -por unanimidade- no Senado Federal, do Marco Legal da Primeira Infância. Só falta a sanção da Presidente, já assegurada por sua equipe (programa do Alexandre Garcia na GloboNews). O "espírito da coisa" é integrar, a nível federal, estadual e municipal, todos os direitos da criança, cuja defesa se encontra até então setorizada por diferentes programas governamentais.

Leia no link da Rede os detalhes desse importante passo, de onde destaco os seguintes pontos:

1) O pai ou a mãe passam a ter direito de permanência em tempo integral em UTIs Neonatais como acompanhantes de seus bebês;

2) O pai terá direito de acompanhar sua mulher gestante a duas consultas ou exames durante a gravidez, e também direito a se ausentar um dia por ano para acompanhar seu filho a consulta médica, sem prejuízo de seu salário;

3) Amplia de 5 para 20 dias a licença paternidade, inclusive em caso de adoção.

Enfim, vale a pena ler o texto da notícia e acompanhar o andamento disso tudo.

Estamos em meio ao enigma da microcefalia (mosquito? Monsanto?), mas considero muito legal esse Marco. Vamos protegê-lo.







domingo, 31 de janeiro de 2016

CineMaterna, Viva!



Finalmente realizei o desejo de ir a uma sessão do CineMaterna! E, pra quem ainda não conhece esse lindo projeto, vou relatar minhas (excelentes) impressões.

Desde 2009 tenho notícia, sabendo ser uma ocasião para mães e pais curtirem um filme no cinema sem qualquer tipo de preocupação quanto ao choro de seu bebê, a necessidade de amamentá-lo etc., já que todo o público da sessão vive a mesma situação. E super simpatizei com a ideia, pois passei a levar minha filha ao cinema aos seis meses (eu é que não iria ficar em casa com ela e perder a chance de acompanhar meu marido e meus enteados ao programa). Se ela se assustava com a bruxa da Pequena Sereia, eu saía de mansinho e dava um tempo no hall, mas na maioria das vezes ela demonstrava atenção e interesse como qualquer membro da criançada que compunha o público (o interessante é que Adélia se formou em Cinema e atua como roteirista :o).

Mas vamos àquilo que eu presenciei ontem (fotos que encontrei na internet).


Foi no cinema da Praia de Botafogo (Rio de Janeiro), às 11:00 da manhã:
É importante esse horário diferenciado, que livra o público do movimento de gente e libera o espaço da ante-sala para o estacionamento dos carrinhos de bebê.

Os frequentadores escolhem pelo site o filme que querem ver:
Dessa vez foi Joy, que está até concorrendo ao Oscar. Eu achei chatinho, chatinho, mas isso nem vem ao caso...




Infra
Aos pés da tela, tem um trocador (patrocinado) com fraldas e demais apetrechos para a tarefa. E também um tapete grandinho com brinquedos, visando oferecer uma opção àquelas crianças que estiverem animadas, querendo fazer outra coisa. Além disso, a pessoa responsável checa com o público se a temperatura do ar-refrigerado está adequada, assim como o volume do som (tudo mais baixo do que o normal). E o filme transcorre com uma luz baixinha no ambiente.


Bom, as pessoas foram chegando bem devagar, muitos com atraso (normal, né?), mas o cinema ficou lotado. Aquele zum-zum-zum de chorinho, conversas de bebês com seus pais, flashes das pessoas fazendo selfies, e começa o filme.

Olha, muito, muito legal.

Tudo se movimenta porque os pais fazem fila pro trocador, uma criança resolve escalar a escada (escoltada pelo pai) e vir conversar com você, mães se levantam e ficam "dançando" pra distrair ou ninar seus rebentos, uma alta atividade rola lá no tapetinho. E tudo na paz. A galera amamentando direto (só vi uma mamadeira), sinal de que as pessoas estão muito bem informadas. Muitos pais presentes, outro bom sinal. Muitos bebês, muitos bebês, muitos bebês!

Foi uma grande experiência. Constatar que as coisas estão mudando e, mais do que isso, que há toda a possibilidades de elas mudarem.



Um projeto sério, delicado, adequado, que perdura.

Parabéns CineMaterna!






quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Nós, o bebês e o mundo



1. No domingo (17 jan), assisti ao programa Sem Fronteiras, da Globo News, sobre a captura de El Chapo, o barão mexicano do tráfico de drogas. Respondendo às perguntas do jornalista Jorge Pontual, um entrevistado informava que cerca de 400 mil empregos diretos -e no total mais de 1 milhão deles, indiretos- são gerados pela atividade do cartel chefiado por El Chapo. Fiquei pensando na quantidade de gente que vive e sustenta suas famílias exercendo esse tipo de atividade...


2. Poucos dias antes soubemos da indicação do longa-metragem de animação brasileiro O menino e o mundo, de Alê Abreu, ao Oscar de Melhor Filme de Animação Estrangeiro. Vejamos a sinopse do filme, publicada no AdoroCinema:

Um garoto mora com o pai e a mãe, em uma pequena casa no campo. Diante da falta de trabalho, no entanto, o pai abandona o lar e parte para a cidade grande. Triste e desnorteado, o menino faz as malas, pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, a criança encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas.


3. Pelo último número da Revista do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), em matéria sobre a regulamentação da NBCAL (lei brasileira que regulamenta a comercialização  de produtos que concorram com o leite materno), fico sabendo que o filme Tigers, de Emraan Hashimi, foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2015. Cito trecho da sinopse publicada: 

Baseado em fatos reais, o filme Tigers conta a história de Ayan, um paquistanês que consegue emprego na Nestlé para vender fórmulas artificiais que substituem o leite materno. Ele fica maravilhado com os benefícios que a empresa oferece, mas seu encantamento vai por água abaixo ao descobrir os problemas de saúde que o produto que promove causa em bebês: desnutrição, diarreia e mortes (Ana Paula Bortoletto, nutricionista e pesquisadora do Idec).


4. Daí me lembro da manchete principal do jornal Empregos & Estágios, com a qual deparo a cada vez que saio de casa, exposta com destaque do lado de fora da banca de jornais aqui do lado. Fiquei pensando na quantidade de gente que se animou com a oportunidade:




5. Então recebo pelo Facebook um link para matéria do Dr. Karleen Griblle, divulgada pelo site anthrolactology.com, que enumera motivos que levam mães que amamentam a deixar de fazê-lo em situações de emergência, diante das doações de fórmulas lácteas e mamadeiras que lhes é disponibilizada. Fiquei especialmente impactada com a informação de que é uma aspiração dessas mães oferecer aos seus filhos a fórmula e a mamadeira, produtos associados a status elevado e recomendados pela publicidade. Ao saberem que as organizações de ajuda os estão distribuindo, aproveitam a chance de usufruir de algo que não seriam capazes de obter por conta própria. 

6. Pelo Facebook, também (e felizmente), tomo conhecimento do lançamento da Caderneta da Criança - Passaporte da Cidadania, lançada dias atrás pelo Ministério da Saúde. A ideia é que ela seja distribuída a todas as famílias de bebês nascidos na rede pública de saúde. E lá está dito muito do que sabemos sobre a importância da amamentação e os males provocados por seus substitutivos.  


7. Por fim, volta e meia dou de cara com o anúncio do Leite Ninho em Pó Zero Lactose nos intervalos comerciais da TV. Essa coisa emocional, comovente, angaria consumidores confiantes...




As coisas são assim. São como são.

Pra gente, resta decidir o que fazer, como fazer. 


Acho que informação é essencial pra ajudar nessa tarefa. E também o senso de futuro.


Particularmente, confesso que meus dois neurônios -o Tico e o Teco- têm se esforçado muito pra dar conta de um barulho desses.