quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Bésame mucho, grande leitura




Ao iniciar a leitura do livro "Bésame mucho", do Dr. Carlos González (Editora Timo - SP), estou bastante interessada no conceito de Seleção Cultural (ao invés de Seleção Natural) desenvolvido pelo autor.

Logo no início do capítulo dois, encontrei:

Foram médicos os que recomendaram há um século dar o peito por dez minutos a cada quatro horas, o que levou a amamentação a um fracasso quase absoluto. Foram farmacêuticos os que há apenas 60 anos vendiam 'pós para dentição' à base de mercúrio sumamente tóxicos, que deveriam ser administrados aos bebês para fazê-los babar, pois a 'baba retida' causava doenças. Foram médicos e educadores os que há dois séculos advertiram que a masturbação 'secava o cérebro', e inventaram castigos terríveis e aparelhos complexos para evitar que as crianças se tocassem.

Os exemplos são empregados no texto com o sentido de demonstrar que grande parte dos mistérios nos cuidados com crianças são criados pela cultura, inventados como procedimentos recomendados por especialistas, e se sucedem na história determinando cuidados com as crianças sob o risco de ocorrerem fatalidades. Mas, na verdade, o ponto que mais está me intrigando é o seguinte:

Foram especialistas que há cinco séculos recomendavam envolver os bebês como múmias para que não pudessem engatinhar (!), porque tinham que andar como as pessoas e não se arrastarem no chão como animais (!!).



Recorrendo à internet, procurei pela palavra-chave "cueiros" e cheguei ao termo swaddling clothes que, segundo o artigo "Enxoval básico do século XVIII" era usado para manter o bebê aquecido e garantir que seus membros se mantivessem retos, numa sociedade onde -já aos cinco anos de idade- as crianças começavam a trabalhar e ninguém na família pré-industrial dispunha de tempo para cuidar de bebês: "Um bebê enrolado, todo o seu corpo envolto e sua cabeça cambaleante presa de forma segura, poderia ser deixado em mãos muito inexperientes, ou por si só, com pouco risco de danos".
(www.sharonburnston.com/baby_linen/bellyband.html)

No site Wikipédia é informado que os panos começaram a ser rejeitados no século XVIII, citando trecho do livro "Emile: Ou, Na Educação", de Jean Jacques Rousseau (1762), que reproduzo em tradução do Google, com alguns ajustes de redação:

Mal a criança sai do útero da mãe, começando a se mover e esticar seus membros, ela é envolta em cueiros, com a cabeça fixa, suas pernas esticadas e os braços estirados dos lados; a mesma é enrolada em volta de linho e todos os tipos de ligaduras de modo a não poder mover-se [...]. De onde vem esse costume razoável? A partir de uma prática antinatural. Desde que as mães desprezaram seu dever primário e não desejam amamentar seus próprios filhos, elas tiveram de confiá-los a mulheres mercenárias. Essas mulheres, portanto, tornam-se mães para filhos de um estranho, que, por natureza, significam tão pouco para eles que eles procuram apenas para poupar-se problemas. Uma criança sem os panos precisaria de observação constante; bem enrolada é lançada em um canto e seus gritos são ignorados [...]. Alega-se que os bebês deixados livres assumiriam posições defeituosas e fariam movimentos que podem ferir o bom desenvolvimento de seus membros. Esta é uma das justificativas vãs da nossa falsa sabedoria que a experiência nunca confirmou. Fora da multidão de crianças que crescem com o pleno uso dos seus membros entre as nações mais sábias do que nós mesmos, você nunca encontrará alguém que se machuca ou mutila a si mesmo; seus movimentos são muito fracos para serem perigosos, e quando eles assumem uma posição prejudicial, a dor adverte-os para mudar isso.





Prosseguindo com a pesquisa, encontro informações sobre o ressurgimento dessa técnica em tempos atuais no site www.sciencedaily.com/releases/2013/10/131028184950.htm. Ali ficamos sabendo que nove entre 10 crianças na América do Norte utilizam os cueiros nos seis primeiros meses de vida, e que no Reino Unido a procura por swaddling clothes aumentou 61% entre 2010 e 2011. Defende-se que a técnica tem efeitos calmantes, ajuda na indução do sono, aliviando choro excessivo e cólicas. Paralelamente, porém, um número crescente de evidências demonstra que ela aumenta o risco de anormalidades no desenvolvimento do quadril. O Prof. Nicholas Clarke (Hospital Universitário de Southamptom) defende que os produtos devem ser frouxos a fim de não cercear a liberdade de movimentos de quadril.



Retornando à Wikipedia, um trecho fala do uso contemporâneo dos cueiros, e do quanto ele está ligado à cultura não industrializada. Na Turquia, 93,1% são tradicionalmente enrolados com essa técnica. Estudos com populações indígenas das Américas não detectaram atraso no início da caminhada provocada pelo uso dos panos, mas um estudo austríaco mostrou que bebês albaneses tiveram sua habilidade para engatinhar e alcançar coisas com as mãos prejudicadas pelos swaddling chothes. E vários estudos empíricos já comprovaram os efeitos negativos do uso dos panos: aumento do risco de displasia da anca; redução da capacidade de equalização da temperatura do corpo pelo bebê nos casos em que os panos são apertados e envolvem a cabeça (hipertermia, com registro de caso fatal); identificação do risco quadruplicado de desenvolvimento de infecções respiratórias. 

E para finalizar meus achados, o estudo sobre o uso contemporâneo dos panos em maternidades, realizado por Bystrova e equipe, demonstrou que há atraso na recuperação da perda de peso pós-natal. O ganho de peso é aumentado e facilitado quando o bebê é colocado em contato direto pele-a-pele com sua mãe nas primeiras horas de vida, reduzindo o estresse do nascimento, mantendo a temperatura corporal com melhores resultados do que na incubadora e integração afetiva do binômio mãe-filho: Mãe Canguru.





A menininha não parece estar apertada nessa versão moderna de swaddling chothes, mas me pergunto que grande diferença há entre isso e um simples pijaminha, a ponto de surtir efeito calmante....

Quando bebês, eu e meus irmãos fomos enrolados em cueiros bem apertados.
Quando minha filha nasceu, não passei nem perto disso, deixando-a de camisolinha, com liberdade total de movimento, pois era o que se praticava à época.

Depois que inventaram a fralda descartável, a tendência é utilizá-la até bem depois do prazo em que ela seria indispensável, pois ao começar a falar uma criança já pode pedir pra fazer xixi e cocô e assim desenvolver controle para suas necessidades, mas praticidade oferecida pelo produto estica seu tempo de uso. Sabemos que a produção de lixo provocada por tal hábito de consumo aterroriza qualquer um que decida fazer as contas, mas deixar pra depois o controle do esfincter estará influenciando no desenvolvimento das crianças?

O lance é que a cultura muda nosso entorno e nossa vida mas não provoca mutações em nosso organismo para que a ela nos adaptemos, como argumenta o Dr. González. Continuamos sendo do mesmo jeito. Também não viramos produtos (embora por vezes pareça que nos esquecemos disso).

Por isso, fico aqui pensando que se a questão é acalmar a criança, boto muito mais fé num colinho antes de dormir.




segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Uma imagem que não vale nada



A mamadeira é um objeto profundamente enraizado em nossa cultura, naturalizado ao ponto de ocupar posto muito mais aceitável do que a amamentação para muitas pessoas.

Visitando Buenos Aires, recentemente, no Malba deparei com esse quadro de Botero, pintor colombiano popularmente conhecido pelas personagens roliças que fortemente caracterizam suas produções. Mas é claro que atentei para a presença das mamadeiras na composição, de nome "Los viudos" (Os viúvos).

Esta é uma situação crítica em que um modo alternativo de alimentar bebês se faz necessário: a morte da mãe. O problema está em que o uso da mamadeira foi se espraiando por justificativas muito menos reais ou nada reais, ao ponto de serem presenteadas já no chá de bebê, antes de se saber se haverá problemas para a amamentação. As comunidades africanas, antes da chegada desastrosa da indústria de leites artificiais por lá, resolviam a questão utilizando xícaras ou colheres para administrar alimento aos bebês. Coisa parecida fazem os índios, empregando cuias (fruto da cuieira madura, depois de esvaziado seu miolo) para alimentá-los com pasta de mandioca.

O fato é que a imagem da mamadeira (e também da chupeta) vem sendo empregada como um "doce símbolo de infância" nas mais variadas produções visuais. E admito que fiz isso também no início desse blog....

Pois é, como "pano de fundo", escolhi um padrão de mamadeiras e chupetas disponível no blogspot. Minha intenção era de que as pessoas se aproximassem daquela imagem e se espantassem ao ler os posts, inteiramente contrários àquela ideia. O contraste funcionaria, ao meu ver, como um recurso comunicativo. Só que, ao iniciar a divulgação do blog, fui logo alertada pela IBFAN Brasil (International Babyfood Action Network) e até hoje agradeço pelo claro "puxão de orelha" de Marina Rea. Temos que desnaturalizar esse objeto, nas menores ações, em cada escolha que fizermos, pois assim estaremos colaborando para que as coisas mudem. O poder da imagem é fortíssimo, não há como negar.

E precisamos estar atentos, muito atentos, porque coisas verdadeiramente esdrúxulas acontecem...

Vejam esse exemplo, encontrado no livro ilustrado "El Embarazo", disponível na lindíssima Livraria Atheneu, também em Buenos Aires: a mamadeira, sim, a imagem da mamadeira é empregada para demonstrar a composição do leite materno!!!!




As indústrias estão se dando muito bem com isso, vendendo mais e mais latas de leite em pó, mais e mais modelos de mamadeiras cheias de "design". E os bebês? O leite materno é o melhor alimento do mundo, vale pesquisar. Não há nada melhor do que o aleitamento materno, pode pesquisar também. Sobre alternativas? Use o copo, a xícara, a colher. E ao produzir imagens, não empregue a mamadeira, please! O consenso científico internacional, firmado há quase 40 anos, agradece.


sábado, 22 de agosto de 2015

Nova tecnologia




Hoje fui apresentada a uma tecnologia muitíssimo interessante por um amigo.

Trata-se de um modo de representação em três dimensões a partir da fotografia. Vejam que bacana esse exemplo de um bebê em 3D. Deixe o arquivo baixar totalmente até que a imagem entre em foco. Com o mouse (mãozinha), faça o passeio pela imagem. O rolete do mouse pode ser acionado para aproximações.

Acredito que essa técnica venha a ser muito útil para várias finalidades, dentre elas o ensino na área da saúde e também do design.

A tecnologia é pública, mas depende de uma esmerada aproximação para lidar com seus controles. Conheço uma equipe de profissionais no Rio de Janeiro que se instruiu para oferecer esse serviço.

Muito legal, né?


sábado, 8 de agosto de 2015

Lutar não há de ser esperar



Escrevo hoje sobre a Semana Mundial de Aleitamento Materno, evento internacional encerrado ontem, sob o tema AMAMENTAÇÃO E TRABALHO.

Dessa vez consegui participar intensamente, a vida me permitiu. E com que alegria essa luta se colore, com quanto suor, persistência, troca intensa de informações, de carinhos, sorrisos, escuta atenta de depoimentos ora bons e ora duros dessa labuta da procriação e do cuidado!

O sábado aqui em casa prometia, porque era o dia do casamento do meu enteado e a casa e a família inteira ficaram às voltas com os preparativos de uma festa que foi... foi linda, viu? :o) Mas antes de tudo eu percebi que poderia dar uma "fugida" até a Quinta da Boavista, onde acontecia o encontro carioca da "Hora do Mamaço". E foi pra lá de especial. A foto aí de cima representa um pouquinho da mobilização e da curtição que rolou.



Na terça, fui pra Maternidade Escola e fiquei lá o dia todo. Aprendi pacas sobre a legislação que protege a mãe e o pai trabalhadores e reconheci o quanto ela precisa melhorar. Um momento especial foi quando pais de bebês internados, naquele momento, na UTI neonatal do hospital, deram seu emocionado depoimento. E depois, quando o querido amigo Marcus Renato de Carvalho (foto), explicou direitinho o quanto esse é um tema importante, que volta e meia é revisitado, uma vez que há muito, muito mesmo a fazer.



Na quinta, eu me mandei pro Instituto Fernandes Figueira, a convite da amiga Nina Savoldi - enfermeira-chefe do Banco de Leite. Na foto estou ao lado de pessoas essenciais de toda essa luta, gente incrível mesmo. Nossa... fico pensando no luxo que é participar e ser acolhida por essa turma.

E a manhã me reservava um momento pra lá de especial. O fato é que, durante o ano passado, eu dei o start pra PUC-Rio (onde sou professora), aderir à licença maternidade de 6 meses. Como já contei aqui no blog, foi um processo bacanérrimo, que iniciei com a super-mega-ultra ajuda das super-mega-ultra forças que o Papa Francisco vem dando à amamentação em público, e que ia ganhando adeptos apaixonados a cada porta em que se batia, na Reitoria, Superintendência do RH, no RH, na Assessoria Jurídica, Na Vice-Reitoria Administrativa, no Ambulatório, Na Vice-Reitoria Comunitária.

Pois bem, nessa quinta, a PUC constava da lista de instituições cariocas que aderiram à extensão da Licença e que estão em vias de implementar a Sala de Apoio às Mães que Amamentam em um slide apresentado pela Dra. Rosane Pereira. Isso me encheu de alegria e orgulho. Mas eis que a Nina se levanta e me cita como representante da Universidade, ao que se seguiram palmas de toda a assistência. (!!!)

Putz... foi incrível. Daí, quando fui agradecer a ela, no dia seguinte, ela me respondeu algo assim: "Tudo bem, Cristine, mas o fato é que a PUC ter aderido nos dá argumento pra chegar nas outras universidades e dizer: e vocês?"

Ah, achei isso o máximo! Uma coisa com lado pragmático que resulta em um bem precioso :o)



E quando eu achava que "tava-bom-demais-e-chega", vejo um comunicado do Marcus avisando que na sexta teria um evento final da SMAM no quiosque da TV Globo, Praia de Copacabana.

Cara, mais um? Ok, ok, bebês são minha prioridade :o) Estou com o dia cheio, mas pego um taxi e dou um pulinho lá. Afinal de contas, tem um tempão que eu espero por uma chance de dizer pra TV Globo que eles precisam padronizar seus roteiros de novelas, porque uma hora tem personagem amamentando, outra hora tem gente dando mamadeira... Decerto é porque os autores não estão a par do problema.

Só que não tinha nenhum repórter lá no momento que eu podia estar no quiosque. Uma pena.

Mas tinha gente muito atuante lá, como Rosane e Dra. Isa, que me sugeriram fazer uma Roda de Conversa com as mães presentes, pra falar MAL das mamadeiras e das chupetas (minha especialidade).
Cara, foi demais!

Então, pra fechar a Semana, compartilho aqui um poema que escrevi há muitos anos para uma adorável amiga, sobre o ato de Lutar. Eu agora o dedico a toda essa gente de tanto valor que dedica sua vida e seu trabalho por essa grande causa.

Lutar não há de ser esperar
Não há de ser armado
De ser preparado, lutar

Lutar não há de ser ataque
Nem de ser defesa
Tampouco há clareza em lutar

Não é briga de foice
Nem com flores lutar não dá
Há de ser tonteira
Dúvida, vontade
Há que ter coragem, lutar.

domingo, 19 de julho de 2015

Pra gente se familiarizar com o Plano de Parto



Ainda não pude ir à exposição "Sentidos do nascer", que está lá na Praça Tiradentes (RJ), mas o site da mostra disponibiliza para download a Cartilha da gestante da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. E lá está incluído o plano de parto, novidade com a qual precisamos nos familiarizar.

Bom domingo!

domingo, 12 de julho de 2015

Ouvindo Badinter

Acho que todo mundo tem a tendência de querer depositar sua confiança em um depoimento, em uma frase ou em uma pessoa.

Uma vez, em um curso que frequentei do Prof. José Maria Gomes (IRI-PUC), fiquei absolutamente surpresa com os argumentos empregados pelos alunos para questionar produções de autores que eu havia recebido como perfeitas, geniais, absolutamente conclusivas.

E me encantei com esse questionamento, que demonstra a relatividade das ideias e de suas interpretações. As coisas são complexas demais pra serem resumidas em uma só opinião. As reflexões, os textos, as ideias servem, isso sim -eu pensei- pra nos fornecer subsídios pra tentar conviver com essa sua complexidade.

Digo isso porque ontem assisti com calma à entrevista que Elisabeth Badinter, autora do livro "O mito do amor materno", deu a Betty Milan, publicada no site da Revista Veja.

Eu não consegui concordar ou me identificar, como mulher e mãe, com cerca de 50% do que ela disse.

E senti muita, mas muita falta mesmo, de considerações sobre os evidentes malefícios provocados pela indústria de leites artificiais e mamadeiras. Porque há ideias, mas há também fatos, como o adoecimento e a morte de 1 milhão e 300 mil bebês anualmente em todo o mundo, expostos a tais produtos, em índice da OMS. Fatos esses respaldados pelas incontáveis pesquisas, por uma aliança internacional, por redes de monitoramento desse comércio e por muitas explicações disponíveis pra todos nós na internet e na vida.

Bom, vale assistir.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Um ciclo



























































































Depois de um tempo sem postar, pretendo a partir de hoje recuperar o ritmo do blog convidando a todos para pensarem um pouco sobre os ciclos. Eles estão aí, se exibindo sem reserva, mas tantas vezes temos a atenção roubada por detalhes que nos exigem o close, o que nos impede a visão mais ampla daquilo que vivemos.

Eu fiz essa história em quadrinhos nos anos 90, pra inscrevê-la em um concurso. O trabalho nem foi selecionado. Como faço com tudo o que realizo, eu o guardei muito bem guardado. Tão bem guardado que nunca mais o encontrei, apesar de buscá-lo com afinco por mais de uma vez.

Bom, eu estaria mentindo se dissesse que o encontrei esses dias por algum tipo de "milagre" ou "sinal", porque o que fiz mesmo foi procura-lo com a determinação de quem , dessa vez, precisava muito encontrá-lo.

Rever essa sequência tão simples de desenhos é pra mim um brinde ao ciclo de vida de minha mãe, encerrado no dia 11 de maio deste ano.

Acho que todos sabem o que é um luto. Já passei por luto de avós, de grandes e queridos amigos, de pai postiço, mas luto de mãe, apesar de ser de uma densidade singularíssima, pode ser um luto diferente. Porque desvela sem reservas um dos mais evidentes ciclos da natureza: nascer, gerar e morrer, deixando em cada filho a promessa de inauguração de novos ciclos.

(Olhando agora eu percebo que os cirurgiões lá do início da historinha estão meio démodé, e que acabei representando a TV Globo no quadrinho da televisão).

Enfim, o que tem me protegido nessa fase é o calor gostoso das amizades e a percepção daquelas coisas ao mesmo tempo simples e de insuperável beleza que tendem a "passar batido" por nós no dia-a-dia.

Essa herança ela me deixou.