sábado, 23 de março de 2013

Interagindo e aprendendo

Nos últimos dias, coisas interessantes vêm acontecendo.

Inicialmente, uma leitora do blog fez contato comigo, propondo uma entrevista, a ser publicada em seu site. Ela enriqueceu a matéria com imagens e legendas interessantes e perturbadoras, e a publicação fez com que as visitas aqui dessem um salto! Agradeço a Anne por tudo e disponibilizo o endereço, muito lindo e recheado de coisas importantíssimas:

http://www.superduper.com.br/2013/03/mdmr-mamadeira-nunca-mais.html

Daí, por consequência da publicação, outras pessoas fizeram contato comigo, e entrei em alguns grupos no Facebook.

Por intermédio dessas pessoas, ontem me deparei com um post que considero absolutamente esclarecedor, informação de primeira qualidade.

É sobre as intervenções a que as parturientes estão expostas em maternidades.

Fiquei muito impressionada com o texto sobre a OCITOCINA SINTÉTICA. Putz, grande parte da impressão de que o parto normal é sofrido, doído, há de se dever à aplicação desse treco. Até enviei pra minha filha, pois ela - embora teoricamente concorde ser o parto normal melhor do que o cesariano, se apavora com tudo o que vê e escuta.

Enfim, muitas aqui já tiveram filhos, e possivelmente passaram por isso... Então, informem aos filhos e jovens de uma maneira geral que o sofrimento do parto normal é, muitas vezes, FABRICADO.

Reproduzo o trecho:

A ocitocina é um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, em várias situações, geralmente ligadas ao prazer, como o ato sexual, um abraço e um beijo gostosos, a amamentação e o parto.

Durante o trabalho de parto, é ela que possibilita as contrações do útero que vão fazer com que o bebê faça o movimento de descida pelo canal vaginal.

A ocitocina natural (endógena) é produzida pelo corpo na medida justa e necessária para o tempo de trabalho de parto de cada mulher.
A ocitocina sintética é um hormônio fabricado e que geralmente é introduzido com o soro a todas as gestantes logo após a internação. Os médicos e as enfermeiras costumam apenas chamá-la de "sorinho", muitas vezes fazendo com que a mulher ache que está recebendo algum tipo de hidratação. Não se trata disso, se trata de um remédio utilizado para aumentar a intensidade das contrações e acelerar o trabalho de parto.

Acontece que, por conta desse remédio, as contrações tornam-se muito mais dolorosas do que aquelas de um trabalho de parto natural. Normalmente, a ocitocina sintética é a primeira intervenção, e costuma puxar outras, como o pedido de analgesia para superar as fortes dores decorrentes do mau uso deste hormônio ou a necessidade de um fórceps e até mesmo uma cesárea para abreviar o parto, pois não é incomum o bebê apresentar sinais de que não está bem quando ela é usada, em função das contrações se tornarem violentas.

Grande parte das mulheres que trazem intensas e traumáticas memórias de dor e de sofrimento durante o trabalho de parto tiveram a presença da ocitocina sintética durante o mesmo.

http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/intervencoes-no-parto-normal-parte-1/

segunda-feira, 11 de março de 2013

Congresso Virtual de Aleitamento

Em maio haverá uma nova edição do Congresso Virtual de Aleitamento, iniciativa do site www.aleitamento.com.
 
Interessante isso, um congresso à distância. E acho genial a ideia de que mães/pais e futuros mães/pais possam assistir às palestras no conforto de suas casas, e ainda participar fazendo perguntas, como em um congresso presencial.
 
A programação está muito legal, e eu também apresentarei uma palestra.
 
Coloco o link para o site do congresso, onde constam todos os detalhes. 
 

domingo, 10 de março de 2013

Sempre as novidades ...


O aço inoxidável vem fazendo muito sucesso e está consagrado como estilo contemporâneo para muitos produtos, principalmente de cozinha - como fogões, geladeiras, microondas, panelas etc.

Bacana. Sou uma adepta e já tenho em casa alguns utensílios neste material.

Mas navegando pela internet, eis que descubro mamadeiras em aço inox.

Bonitas? Sim, bem bonitas, embora esta se pareça mais com um saleiro e a aplicação da marca, a meu ver, estrague o visual final do produto.

Mas por que mamadeiras em aço inox? Qual o argumento das indústrias? Afinal, mamadeiras nunca foram produzidas nesse material (ao menos que eu saiba).

E a justificativa é: por não serem de plástico, são livres do BPA, aquele polímero que é liberado de alguns plásticos quando o material entra em contato com detergentes e líquidos aquecidos, que provoca problemas de saúde graves etc. etc., proibido em diversos países, inclusive no Brasil.

Analisando a imagem, parece que as roscas podem ser até mais fáceis de serem lavadas, pois seus cantos não são tão vivos quanto o que podemos verificar em exemplares plásticos... Mas quem dera que os problemas da mamadeira se restringissem a isso.

Permanece a exigência da lavagem perfeita, o risco de restarem resquícios de leite, com sua consequente proliferação de bactérias. Perdura o problema do bico, que exigirá do bebê um movimento inteiramente diverso da sucção, pois ele terá que elevar a lingua ao céu da boca pra apertá-lo e isso acarretará deformações na formação de sua arcada dentária, na sua respiração. E continua o incentivo ao consumo de leites artificiais (que nunca chegarão aos pés do leite humano), que precisam ser hidratados com água - aí sim - pura, coisa difícil nesses novos tampos. Perdura o incentivo ao desmame e adesão às "tendências de moda", ao estilo do "design", como na imagem abaixo:





Design não é isso. Isso é desinformação, irresponsabilidade.

Isso é crime.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sobre o relatório "The Baby Killer", de Mike Muller


Nos países do chamado Terceiro Mundo, o relatório publicado em 1974 relatou que, juntamente com as latas de leite, eram doadas mamadeiras (pelas tais vendedoras de indústrias fantasiadas de enfermeiras). Segundo Muller, a mamadeira é a base do problema, pois ela, ao mesmo tempo, é instrumento transmissor de infecção e símbolo de uma prática “moderna”.

Em Papua, Nova Guiné, uma circular do Diretor de Saúde Pública denunciava ter sido descoberto em uma loja um cartaz publicitário do Lactogeno, onde se via a imagem de uma mãe e um bebê com mamadeira. Tal circular dizia que “o departamento de saúde não tolerará qualquer propaganda de mamadeiras”:

Embora não tenhamos autoridade para remover anúncios censuráveis, os profissionais de saúde podem fazer todos os esforços para persuadir os donos de lojas a desistirem de tais cartazes. Devem-se aproveitar as ocasiões oportunas para falar com os donos das lojas e informá-los sobre os perigos das mamadeiras. (p. 37)

O Prof. M. H. Hamza, da Universidade de Dar es Salaam, Tanzânia, sinaliza, em guia voltado a paramédicos citado no relatório de Muller, que eventualmente, por motivo de doença, morte ou pouco leite da mãe, a criança deveria ser alimentada com “xícara ou colher e não com mamadeira”, pois “será impossível para uma mãe camponesa manter a mamadeira limpa e o bebê correrá riscos de contrair uma gastroenterite grave” (p. 38). Iniciativa semelhante foi tomada por um fabricante nacionalizado de leites em Zâmbia, que contrasta com a desinformação presente nos rótulos de leite em pó de outras companhias quanto à posologia, custo etc. O rótulo do leite africano exibia — à época da realização do relatório, ou seja, nos anos de 1970 — o seguinte texto:

O melhor alimento para a sua criança é o leite materno. Ele é melhor do que este ou qualquer tipo de alimento artificial. Não alimente sua criança artificialmente, a menos que você esteja segura de ter o dinheiro necessário para comprar leite suficiente. Quando sua criança tiver 4 meses, ela necessitará 2,5 Kg de leite em pó por mês. Você tem certeza de ter o dinheiro necessário para comprá-lo? Alimente sua criança usando uma xícara e uma colher e não uma mamadeira. Peça na loja em que você comprar esta lata que lhe dêem um papel explicando como alimentar sua criança. (p. 39)
 
 
É que o texto das latas de leite vinha em outros idiomas, incompreensíveis para as comunidades que os recebiam.
 
E o impressionante é que, nos idos de 1970, na África, a xícara e a colher - veículos análogos à recomendação contemporânea para alimentar artificialmente bebês- era coisa sabida. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Doulas in Badinter



Sobre a atual conquista das doulas (mulheres que apoiam  gestantes e parturientes aos níveis físico e emocional), cuja profissão foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho, e cuja entrada em maternidades vinha sendo (e ainda vem sendo) alvo de reservas no Brasil, destaco um trecho que julgo importante no livro "Le Conflit, la femme et la mère", de Élisabeth Badinter (2010).

A autora relata que um recente estudo norte-americano (The Doula Book: How a trained labor companion can help you have a shortes, easier and healthier birth, de Marshall H. Klaus, John H. Kennell e Phyllis H. Klaus - 2002), não nega as vantagens desta nova profissão:

- partos mais fáceis;
- redução de partos cesarianos em 50%;
- diminuição de 25% do tempo de duração dos partos;
- redução de 60% no uso de anestesias peridurais;
- redução de 30% do uso de fórceps

Muito expressivo!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um passarinho me contou ...

Um passarinho me contou ...

Ele não era um passarinho azul, lépido e feliz. Vestia luto, estava deprimido e muito triste, uma tristeza mais funda que o mundo todo.

Mas teve forças pra me contar, bem baixinho, que a luzinha que enxergava lá, bem longe, depois da morte de seu filho, era o compromisso de seguir vivendo, com o intuito de honrar a vida dele, que não estava mais ao seu lado. Tudo em sua honra.

Esse passarinho, era uma passarinha. E ela está conseguindo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Baixo Bebê agora é Baixo Nestlé




Domingo à tarde, dia bonito, meu marido iria pro Leblon e decidi pegar uma carona pra ver o mar. Pois é, não é incomum morar no Rio de Janeiro e raramente ver o mar...

A orla estava sem trânsito em uma das pistas, muito alegre, cheia de gente. Localizei o Posto 12, que dizem ser o ponto mais concorrido das praias cariocas pra esse verão.

E, seguindo, deparei com um quiosque da ... Nestlé. Um display com potes de papinhas e caixinhas de Nestogeno ganhava destaque no cenário. Famílias com bebês pequenos e crianças coloriam o lugar e, pra meu espanto, uma área bem grande e cercada, com brinquedos coloridos como casinhas e pula-pula (algo assim), ocupava a areia. Tudo da Nestlé, com personagem etc.

Foi então que a ficha caiu: não existe mais o Baixo Bebê, um quiosque simples e simpático que, há muitos anos, inventou uma área infantil na beira da praia do Leblon. Agora a ideia foi absorvida pela Nestlé, que decerto comprou os direitos de exploração comercial do local e fundou o que eu chamo aqui de "Baixo Nestlé".

Eu fiquei boberona. Depois de alguns minutos saquei o celular e tirei essas fotos. Nas mesinhas, todas lindinhas, baldes lotados de canetas coloridas de vários tipos e espessuras estavam à disposição para serem usadas pelas crianças. Para desenhar? Não de imediato, porque o quiosque fornece folhas com desenhos para colorir (muito melhor conduzir do que liberar, né não?), e é o que as quatro ou seis meninas que encontrei estavam fazendo.

Nas tais folhas, o ursinho-personagem chega carregado pela... cegonha. E o slogan principal, colorido, logo abaixo do símbolo da Nestlé diz "Começar saudável para crescer saudável".
Putz, olha a mensagem supliminar que se compõe com esses elementos na cabeça das crianças que, cuidadosamente, ficarão alguns minutos colorindo o papel! Produtos Nestlé desde o nascimento!

Daí, nesta terça-feira, saí de taxi da PUC para participar de um evento na Urca. Fui pela orla, e me deparei com mais duas áreas de areia também vendidas para outras empresas, cujos nomes acho que recalquei...

Então eu penso nos frequentadores das praias, mas também naqueles jovens talentosos que, em seus empregos novinhos em folha, aplicam o conhecimento adquirido em seus cursos universitários, planejando e projetando esses banners, essas folhinhas, esses rótulos...

Não sei sobre empresas em geral, mas sobre essa eu sei: no site da Nestlé ela exibe o título de "Autoridade Mundial em Nutrição". E daí eu penso, não dá MESMO pra ficar só com a informação que nos chega fácil aos ouvidos e depois se acomoda confortavelmente em nossas mentes. Tem que sair atrás, investigar um pouco que seja, pois mesmo o Google - ferramenta darling dos nossos tempos - é capaz de nos contar muito mais, de retirar os lindos panos que encobrem a bela fachada dos quiosques da Praia do Leblon.