terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Doulas in Badinter
Sobre a atual conquista das doulas (mulheres que apoiam gestantes e parturientes aos níveis físico e emocional), cuja profissão foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho, e cuja entrada em maternidades vinha sendo (e ainda vem sendo) alvo de reservas no Brasil, destaco um trecho que julgo importante no livro "Le Conflit, la femme et la mère", de Élisabeth Badinter (2010).
A autora relata que um recente estudo norte-americano (The Doula Book: How a trained labor companion can help you have a shortes, easier and healthier birth, de Marshall H. Klaus, John H. Kennell e Phyllis H. Klaus - 2002), não nega as vantagens desta nova profissão:
- partos mais fáceis;
- redução de partos cesarianos em 50%;
- diminuição de 25% do tempo de duração dos partos;
- redução de 60% no uso de anestesias peridurais;
- redução de 30% do uso de fórceps
Muito expressivo!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Um passarinho me contou ...
Um passarinho me contou ...
Ele não era um passarinho azul, lépido e feliz. Vestia luto, estava deprimido e muito triste, uma tristeza mais funda que o mundo todo.
Mas teve forças pra me contar, bem baixinho, que a luzinha que enxergava lá, bem longe, depois da morte de seu filho, era o compromisso de seguir vivendo, com o intuito de honrar a vida dele, que não estava mais ao seu lado. Tudo em sua honra.
Esse passarinho, era uma passarinha. E ela está conseguindo.
Ele não era um passarinho azul, lépido e feliz. Vestia luto, estava deprimido e muito triste, uma tristeza mais funda que o mundo todo.
Mas teve forças pra me contar, bem baixinho, que a luzinha que enxergava lá, bem longe, depois da morte de seu filho, era o compromisso de seguir vivendo, com o intuito de honrar a vida dele, que não estava mais ao seu lado. Tudo em sua honra.
Esse passarinho, era uma passarinha. E ela está conseguindo.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
O Baixo Bebê agora é Baixo Nestlé
Domingo à tarde, dia bonito, meu marido iria pro Leblon e decidi pegar uma carona pra ver o mar. Pois é, não é incomum morar no Rio de Janeiro e raramente ver o mar...
A orla estava sem trânsito em uma das pistas, muito alegre, cheia de gente. Localizei o Posto 12, que dizem ser o ponto mais concorrido das praias cariocas pra esse verão.
E, seguindo, deparei com um quiosque da ... Nestlé. Um display com potes de papinhas e caixinhas de Nestogeno ganhava destaque no cenário. Famílias com bebês pequenos e crianças coloriam o lugar e, pra meu espanto, uma área bem grande e cercada, com brinquedos coloridos como casinhas e pula-pula (algo assim), ocupava a areia. Tudo da Nestlé, com personagem etc.
Foi então que a ficha caiu: não existe mais o Baixo Bebê, um quiosque simples e simpático que, há muitos anos, inventou uma área infantil na beira da praia do Leblon. Agora a ideia foi absorvida pela Nestlé, que decerto comprou os direitos de exploração comercial do local e fundou o que eu chamo aqui de "Baixo Nestlé".
Eu fiquei boberona. Depois de alguns minutos saquei o celular e tirei essas fotos. Nas mesinhas, todas lindinhas, baldes lotados de canetas coloridas de vários tipos e espessuras estavam à disposição para serem usadas pelas crianças. Para desenhar? Não de imediato, porque o quiosque fornece folhas com desenhos para colorir (muito melhor conduzir do que liberar, né não?), e é o que as quatro ou seis meninas que encontrei estavam fazendo.
Nas tais folhas, o ursinho-personagem chega carregado pela... cegonha. E o slogan principal, colorido, logo abaixo do símbolo da Nestlé diz "Começar saudável para crescer saudável".
Putz, olha a mensagem supliminar que se compõe com esses elementos na cabeça das crianças que, cuidadosamente, ficarão alguns minutos colorindo o papel! Produtos Nestlé desde o nascimento!
Daí, nesta terça-feira, saí de taxi da PUC para participar de um evento na Urca. Fui pela orla, e me deparei com mais duas áreas de areia também vendidas para outras empresas, cujos nomes acho que recalquei...
Então eu penso nos frequentadores das praias, mas também naqueles jovens talentosos que, em seus empregos novinhos em folha, aplicam o conhecimento adquirido em seus cursos universitários, planejando e projetando esses banners, essas folhinhas, esses rótulos...
Não sei sobre empresas em geral, mas sobre essa eu sei: no site da Nestlé ela exibe o título de "Autoridade Mundial em Nutrição". E daí eu penso, não dá MESMO pra ficar só com a informação que nos chega fácil aos ouvidos e depois se acomoda confortavelmente em nossas mentes. Tem que sair atrás, investigar um pouco que seja, pois mesmo o Google - ferramenta darling dos nossos tempos - é capaz de nos contar muito mais, de retirar os lindos panos que encobrem a bela fachada dos quiosques da Praia do Leblon.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Vamos que vamos!
É assim mesmo: quando você entra numa de estudar uma determinado assunto, embora leve tempo, acaba montando uma rede de contatos valiosa.
Foi assim comigo. E diga-se de passagem que nem sou uma pessoa muito sociável. Mas descobrir que aquele tema que tanto te interessa, na verdade já concentra uma multidão de pessoas que trabalham há muito tempo naquilo, é incrível. E falando específicamente da questão-tema deste blog, representa um grande alento.
Aos pouquinhos fui conhecendo pessoas, frequentando fóruns, fazendo leituras ... e hoje posso dizer, com muito orgulho, que faço parte desse grupo também, que promovo fóruns também e que escrevo coisas para serem lidas também.
Sabe, ter encontrado esse campo de estudo e de ação deu, finalmente, o sentido pra minha profissão que eu sempre busquei.
Mas falando das coisas que já escrevi, tive esta semana uma surpresa muito boa. O Dr. Marcus Renato, pediatra, responsável pelo site que foi pra mim uma das maiores referências enquanto escrevia a tese, publicou um artigo meu: Campanha "Madrinhas da Amamentação": reflexão crítica.
E qual não foi minha surpresa quando, ao checar seu post no Facebook, percebi que já havia 90 compartilhamentos. E mais ainda, ontem ele me contou que o Google enviou pra ele uma notificação de que a publicação de meu artigo estava "bombando" na internet.
O negócio é esse, a luta é essa. Temos que produzir muito pra chamar a atenção das pessoas sobre o problema das mamadeiras e pra esclarecer e incentivar a amamentação.
O artigo é uma crítica que não foi simples de elaborar, como qualquer crítica.
Coloco aqui o link, e aproveito pra incentivar a todos a participarem da enquete sobre o conceito de aconselhamento em amamentação, presente na página de abertura do site www.aleitamento.com.br.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Como é difícil!
Hoje encontrei uma matéria muito boa sobre os perigos da mamadeira. Li, gostei, concordei com praticamente tudo que estava escrito lá.
Mas sou "gato escaldado", e percebi que um anúncio animado das indústrias Lillo ilustrava a matéria.
Cliquei. No site não aparecia nenhuma mamadeira, só mesmo os tais "copos antivazamento" que, diga-se de passagem, também não são recomendados pelas agências de saúde porque não permitem que a sucção se dê de maneira adequada. O negócio é copo, copo comum.
Então pensei: será que a Lillo deixou de fabricar mamadeiras? E coloquei no Google "mamadeiras Lillo". Claro que uma infinidade dessses produtos veio, com fartas imagens.
http://guiadobebe.uol.com.br/por-que-a-mamadeira-e-condenada/
É assim. A cultura está tão implantada na cabeça da gente que mesmo os autores e editores de um site que faz uma matéria séria sobre o assunto não percebem que ela não pode ser patrocinada por indústria que produz justamente o produto que se critica.
Não percebem? Patrocínio parece ser tudo, não?
Mas sou "gato escaldado", e percebi que um anúncio animado das indústrias Lillo ilustrava a matéria.
Cliquei. No site não aparecia nenhuma mamadeira, só mesmo os tais "copos antivazamento" que, diga-se de passagem, também não são recomendados pelas agências de saúde porque não permitem que a sucção se dê de maneira adequada. O negócio é copo, copo comum.
Então pensei: será que a Lillo deixou de fabricar mamadeiras? E coloquei no Google "mamadeiras Lillo". Claro que uma infinidade dessses produtos veio, com fartas imagens.
http://guiadobebe.uol.com.br/por-que-a-mamadeira-e-condenada/
É assim. A cultura está tão implantada na cabeça da gente que mesmo os autores e editores de um site que faz uma matéria séria sobre o assunto não percebem que ela não pode ser patrocinada por indústria que produz justamente o produto que se critica.
Não percebem? Patrocínio parece ser tudo, não?
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Mamadeira e tempo lógico
Às vezes a gente só tem a chance de entender as coisas da vida muito tempo depois dos fatos que as propiciaram. Hoje acordei com a lembrança de uma sacação que tive há muitos anos. E como ela está ligada à lida que tive com o desmame de minha filha, conto aqui no blog.
Depois de uma gravidez tensa, devido a um sangramento que tive aos três meses, minha filha nasceu saudável e a amamentação transcorreu maravilhosamente, com fartura de leite, tranquilidade e aquela sensação de plenitude que temos por saber que somos capazas de proporcionar o que há melhor de melhor para o bebê. Eu amei amamentar e esses momentos apagaram toda a barra pesada que vivi durante a gestação.
Só que na época eu não sabia nada do que sei hoje sobre o assunto. Era tudo instintivo. Então, como minha licença-maternidade terminaria quando Adélia completasse 4 meses, por orientação do pediatra eu fui introduzindo a papinha. Sucos e água ela mal aceitava, e a tentativa de lhe dar leite na mamadeira se frustrava, apesar de todas as macaquices que eu e minha mãe fazíamos pra que ela desse uns míseros goles naquela coisa.
Até que chegou o momento fatídico. Eu precisava reassumir meu trabalho - o design gráfico de um livro sobre a hidrelétrica de Itaipu. Centro da cidade, horário integral, com bateção de ponto.
Não queria que meu leite secasse. Meus chefes eram estrangeiros e digo isso pq delego a esse fato sua tendência a aceitar qualquer coisa que eu propusesse em termos de horário, pois viam que minha produtividade só aumentava se essas demandas fossem atendidas. Então pedi um horário maior para o almoço: eu iria em casa, na Fonte da Saudade, para amamentar minha filha, e retornaria ao Centro na parte da tarde.
Eu me lembro que, no Metrô, algumas vezes recebi olhares doces e admirados de seus ocupantes porque, apesar dos protetores que colocava no sutiã, num dado momento o leite vinha e vazava, formando dois círculos em minha camisa. Pra dizer a verdade, foi a única ocasião em toda a minha vida que fui olhada com tamanha ternura (mas fique claro que isso não é uma queixa).
Assim consegui estender a amamentação de Adélia até os 9 meses e meio: pela manhã, ao meio-dia, e durante a noite.
O leite foi secando aos poucos e a mamadeira teve que ser acessada.
Ela não aceitou. Chorava, urrava, um sofrimento. Até que "pegou". Ela mamava, mas vomitava tudo depois.
À noite, eu e meu marido nos acostumamos a deixar um balde no corredor com todo o material de limpeza, pois era líquido e certo que ela, pouco tempo depois de mamar, vomitaria tudo. E pediria mais leite, e novamente tudo se repetiria.
Abnegados, agíamos com paciência e preocupação. Esta última nos levou a aceitar a sugestão do pediatra: dêem leite de soja.
Melhorou. O preparo daquela "coisa" fedia tanto, mas tanto, que por pouco não éramos nós a passar mal. Mas melhorou, com ajuda também da acupuntura.
Muito bem, mas chegamos enfim ao momento da história que permite tratar do "tempo lógico", cujo significado aprendi no período que antecedeu e acompanhou minha gravidez, quando fiz psicanálise lacaniana. O tempo lógico não respeita o relógio, as marcaçõs de tempo que os homens delimitaram. Ele é o tempo de cada um, um tempo que devemos aprender a perceber e respeitar.
Adélia tinha uns 3 ou 4 anos. Estávamos fazendo o lanche da noite. Mesa cheia, com meu marido, meus enteados, a família toda.
Preparei o copo de Toddy da Adélia. Comecei a lanchar também. E eis que ela esbarrou e derrubou o líquido de seu copo na mesa inteira.
Eu fiquei irada. Reagi com uma ferocidade inexplicável, gritando.
Depois de ajeitar as coisas, terminar o lanche e me lavar na pia, pois meus braços haviam sido atingidos por parte daquele leite, me deitei pra dormir.
Então senti aquele cheiro, de leite, e pude compreender: eu me abneguei inúmeras noites, limpando aquela coisa toda quando ela era bebê. Um dia teria que estravazar.
Não me senti culpada pela reação que tive com ela. Mas chorei um bocado, quietinha no meu canto.
Foi o meu tempo.
E com essa narrativa eu não vou fugir à regra: desejo um 2013 legal às pampas pra todo mundo. Só que eu sei que o tempo de cada um não respeita calendários.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Um ano bom
A gente sabe que um ano é tempo demais pras coisas, todas, darem certo, ficarem bem. Mesmo assim a tradição é desejar às pessoas e a nós mesmos que isso aconteça. Acho mesmo que, nessa espécie de delírio coletivo do reveillon, as pessoas conscientemente optam por se permitir delirar só um pouquinho, como se fosse um carnaval, uma licença poética.
Bom seria se um ano durasse menos, durasse assim ... um dia. Mais perfeito ainda seria se sua extensão fosse de uma hora. Porque daria tempo dos imprevistos não acontecerem, dos problemas não invadirem a casa pelo telefone ou pela televisão, da nossa plenitude arrefecer.
Ano devia ser sinônimo de momento.
Um ano bom, é o que desejo a todos.
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