sábado, 12 de janeiro de 2013
Vamos que vamos!
É assim mesmo: quando você entra numa de estudar uma determinado assunto, embora leve tempo, acaba montando uma rede de contatos valiosa.
Foi assim comigo. E diga-se de passagem que nem sou uma pessoa muito sociável. Mas descobrir que aquele tema que tanto te interessa, na verdade já concentra uma multidão de pessoas que trabalham há muito tempo naquilo, é incrível. E falando específicamente da questão-tema deste blog, representa um grande alento.
Aos pouquinhos fui conhecendo pessoas, frequentando fóruns, fazendo leituras ... e hoje posso dizer, com muito orgulho, que faço parte desse grupo também, que promovo fóruns também e que escrevo coisas para serem lidas também.
Sabe, ter encontrado esse campo de estudo e de ação deu, finalmente, o sentido pra minha profissão que eu sempre busquei.
Mas falando das coisas que já escrevi, tive esta semana uma surpresa muito boa. O Dr. Marcus Renato, pediatra, responsável pelo site que foi pra mim uma das maiores referências enquanto escrevia a tese, publicou um artigo meu: Campanha "Madrinhas da Amamentação": reflexão crítica.
E qual não foi minha surpresa quando, ao checar seu post no Facebook, percebi que já havia 90 compartilhamentos. E mais ainda, ontem ele me contou que o Google enviou pra ele uma notificação de que a publicação de meu artigo estava "bombando" na internet.
O negócio é esse, a luta é essa. Temos que produzir muito pra chamar a atenção das pessoas sobre o problema das mamadeiras e pra esclarecer e incentivar a amamentação.
O artigo é uma crítica que não foi simples de elaborar, como qualquer crítica.
Coloco aqui o link, e aproveito pra incentivar a todos a participarem da enquete sobre o conceito de aconselhamento em amamentação, presente na página de abertura do site www.aleitamento.com.br.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Como é difícil!
Hoje encontrei uma matéria muito boa sobre os perigos da mamadeira. Li, gostei, concordei com praticamente tudo que estava escrito lá.
Mas sou "gato escaldado", e percebi que um anúncio animado das indústrias Lillo ilustrava a matéria.
Cliquei. No site não aparecia nenhuma mamadeira, só mesmo os tais "copos antivazamento" que, diga-se de passagem, também não são recomendados pelas agências de saúde porque não permitem que a sucção se dê de maneira adequada. O negócio é copo, copo comum.
Então pensei: será que a Lillo deixou de fabricar mamadeiras? E coloquei no Google "mamadeiras Lillo". Claro que uma infinidade dessses produtos veio, com fartas imagens.
http://guiadobebe.uol.com.br/por-que-a-mamadeira-e-condenada/
É assim. A cultura está tão implantada na cabeça da gente que mesmo os autores e editores de um site que faz uma matéria séria sobre o assunto não percebem que ela não pode ser patrocinada por indústria que produz justamente o produto que se critica.
Não percebem? Patrocínio parece ser tudo, não?
Mas sou "gato escaldado", e percebi que um anúncio animado das indústrias Lillo ilustrava a matéria.
Cliquei. No site não aparecia nenhuma mamadeira, só mesmo os tais "copos antivazamento" que, diga-se de passagem, também não são recomendados pelas agências de saúde porque não permitem que a sucção se dê de maneira adequada. O negócio é copo, copo comum.
Então pensei: será que a Lillo deixou de fabricar mamadeiras? E coloquei no Google "mamadeiras Lillo". Claro que uma infinidade dessses produtos veio, com fartas imagens.
http://guiadobebe.uol.com.br/por-que-a-mamadeira-e-condenada/
É assim. A cultura está tão implantada na cabeça da gente que mesmo os autores e editores de um site que faz uma matéria séria sobre o assunto não percebem que ela não pode ser patrocinada por indústria que produz justamente o produto que se critica.
Não percebem? Patrocínio parece ser tudo, não?
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Mamadeira e tempo lógico
Às vezes a gente só tem a chance de entender as coisas da vida muito tempo depois dos fatos que as propiciaram. Hoje acordei com a lembrança de uma sacação que tive há muitos anos. E como ela está ligada à lida que tive com o desmame de minha filha, conto aqui no blog.
Depois de uma gravidez tensa, devido a um sangramento que tive aos três meses, minha filha nasceu saudável e a amamentação transcorreu maravilhosamente, com fartura de leite, tranquilidade e aquela sensação de plenitude que temos por saber que somos capazas de proporcionar o que há melhor de melhor para o bebê. Eu amei amamentar e esses momentos apagaram toda a barra pesada que vivi durante a gestação.
Só que na época eu não sabia nada do que sei hoje sobre o assunto. Era tudo instintivo. Então, como minha licença-maternidade terminaria quando Adélia completasse 4 meses, por orientação do pediatra eu fui introduzindo a papinha. Sucos e água ela mal aceitava, e a tentativa de lhe dar leite na mamadeira se frustrava, apesar de todas as macaquices que eu e minha mãe fazíamos pra que ela desse uns míseros goles naquela coisa.
Até que chegou o momento fatídico. Eu precisava reassumir meu trabalho - o design gráfico de um livro sobre a hidrelétrica de Itaipu. Centro da cidade, horário integral, com bateção de ponto.
Não queria que meu leite secasse. Meus chefes eram estrangeiros e digo isso pq delego a esse fato sua tendência a aceitar qualquer coisa que eu propusesse em termos de horário, pois viam que minha produtividade só aumentava se essas demandas fossem atendidas. Então pedi um horário maior para o almoço: eu iria em casa, na Fonte da Saudade, para amamentar minha filha, e retornaria ao Centro na parte da tarde.
Eu me lembro que, no Metrô, algumas vezes recebi olhares doces e admirados de seus ocupantes porque, apesar dos protetores que colocava no sutiã, num dado momento o leite vinha e vazava, formando dois círculos em minha camisa. Pra dizer a verdade, foi a única ocasião em toda a minha vida que fui olhada com tamanha ternura (mas fique claro que isso não é uma queixa).
Assim consegui estender a amamentação de Adélia até os 9 meses e meio: pela manhã, ao meio-dia, e durante a noite.
O leite foi secando aos poucos e a mamadeira teve que ser acessada.
Ela não aceitou. Chorava, urrava, um sofrimento. Até que "pegou". Ela mamava, mas vomitava tudo depois.
À noite, eu e meu marido nos acostumamos a deixar um balde no corredor com todo o material de limpeza, pois era líquido e certo que ela, pouco tempo depois de mamar, vomitaria tudo. E pediria mais leite, e novamente tudo se repetiria.
Abnegados, agíamos com paciência e preocupação. Esta última nos levou a aceitar a sugestão do pediatra: dêem leite de soja.
Melhorou. O preparo daquela "coisa" fedia tanto, mas tanto, que por pouco não éramos nós a passar mal. Mas melhorou, com ajuda também da acupuntura.
Muito bem, mas chegamos enfim ao momento da história que permite tratar do "tempo lógico", cujo significado aprendi no período que antecedeu e acompanhou minha gravidez, quando fiz psicanálise lacaniana. O tempo lógico não respeita o relógio, as marcaçõs de tempo que os homens delimitaram. Ele é o tempo de cada um, um tempo que devemos aprender a perceber e respeitar.
Adélia tinha uns 3 ou 4 anos. Estávamos fazendo o lanche da noite. Mesa cheia, com meu marido, meus enteados, a família toda.
Preparei o copo de Toddy da Adélia. Comecei a lanchar também. E eis que ela esbarrou e derrubou o líquido de seu copo na mesa inteira.
Eu fiquei irada. Reagi com uma ferocidade inexplicável, gritando.
Depois de ajeitar as coisas, terminar o lanche e me lavar na pia, pois meus braços haviam sido atingidos por parte daquele leite, me deitei pra dormir.
Então senti aquele cheiro, de leite, e pude compreender: eu me abneguei inúmeras noites, limpando aquela coisa toda quando ela era bebê. Um dia teria que estravazar.
Não me senti culpada pela reação que tive com ela. Mas chorei um bocado, quietinha no meu canto.
Foi o meu tempo.
E com essa narrativa eu não vou fugir à regra: desejo um 2013 legal às pampas pra todo mundo. Só que eu sei que o tempo de cada um não respeita calendários.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Um ano bom
A gente sabe que um ano é tempo demais pras coisas, todas, darem certo, ficarem bem. Mesmo assim a tradição é desejar às pessoas e a nós mesmos que isso aconteça. Acho mesmo que, nessa espécie de delírio coletivo do reveillon, as pessoas conscientemente optam por se permitir delirar só um pouquinho, como se fosse um carnaval, uma licença poética.
Bom seria se um ano durasse menos, durasse assim ... um dia. Mais perfeito ainda seria se sua extensão fosse de uma hora. Porque daria tempo dos imprevistos não acontecerem, dos problemas não invadirem a casa pelo telefone ou pela televisão, da nossa plenitude arrefecer.
Ano devia ser sinônimo de momento.
Um ano bom, é o que desejo a todos.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Superpoderes
Bom, eu acho que todo mundo tem superpoderes. Somos uma máquina superpoderosa, com funcionamento requintado, de qualidade insuperável. Um sistema que ultrapassa qualquer máquina já pensada. O corpo humano, a capacidade de SER que temos, deixa qualquer nave espacial no chinelo. No chinelo mesmo.
E daí, é claro, também damos defeito. E um deles é uma tendência enorme a delegar às coisas, aos objetos, aos produtos, às máquinas, aquilo que temos capacidade de realizar. Porque esses utensílios "nos poupam". Só que essa "poupança", essa "economia" tem - como tudo na vida - seu lado bom e seu lado ruim.
Uma das coisas que mais me impressionaram até hoje foi a informação de que, com o surgimento do alfabeto, as pessoas foram aos poucos deixando de ter que memorizar informações; que com o advento da imprensa, a oralidade foi perdendo seu papel, sua importância. Sem dúvida o alfabeto e a imprensa alargaram nossas possibilidades perante o conhecimento. Mas deixamos de dispor de nossa memória em todo o seu potencial.
Hoje me espanto ao constatar que perdi grande parte da minha capacidade em fazer contas de cabeça. Mas ainda me salvo, porque a imensa maioria dos meus alunos é incapaz de realizar isso. As coisas, como a calculadora, fazem as coisas por nós.
Que bom que há coisas que fazem coisas por nós.
Que bom quando essas coisas - que fazem as coisas por nós- as fazem bem, as fazem tão bem ou melhor do que nós. Ou mesmo mais agilmente do que nós.
O problema é quando essas mesmas coisas fazem coisas ruins e, por serem coisas (e por elas supostamente sempre fazerem coisas boas por nós), lhes damos o aval de que fazem as coisas muito melhor do que nós.
Não fazem.
E no caso do leite, além de não chegarem nem no dedão do pé, fazem mal.
domingo, 11 de novembro de 2012
Mamadeira e leites artificiais: só tem mocinho e vítima, né? Tá faltando um bandido
Reproduzo aqui mais um trecho da tese, que será publicada no primeiro semestre de 2013 (está agora em fase de revisão).
Considero a consulta que fiz aos professores de design um momento-chave da pesquisa. Aqui foi discutida a malha de interesses que propicia a força da cultura da mamadeira, apesar das recomendações dos órgãos de saúde contra o seu uso:
Percebe-se a existência de um contexto intrincado que viabiliza e referenda a inserção dos leites artificiais e das mamadeiras na cultura:
— A questão, muito bem abordada na apresentação, é que há uma malha de interesses, quer dizer, é uma indústria farmacêutica pesada acenando com perspectivas de ganho muito grandes para os próprios médicos; essa medicalização dos cuidados com a parturiente, a criança e tudo mais, e até mesmo acenando nas campanhas como algo bom para a criança: eu vou ser uma boa mãe na medida em que fizer isso. Quer dizer, não há bandido nessa história, só tem mocinho, né?
— Só tem mocinho e vítima, né? Gozado, tá faltando um bandido.
— Na verdade as crianças são aquinhoadas.
Esse trecho do debate foi seguido de comentário, feito pela anfitriã, que agregava àquilo que havia sido dito informações sobre o recurso promocional empregado pela Nestlé em recente comercial de TV (a mãe, como expert em leites, recomendando os leites da empresa); o fato de recentemente indústrias alimentícias brasileiras terem fechado acordo de não realizar propaganda dirigida ao público infantil; o fato de o relatório do IBFAN ter demonstrado retrocesso nos níveis de controle da conduta pró-amamentação na União Europeia (sinal de que as indústrias estão investindo em suas estratégias) e o consequente lançamento da boneca que amamenta.
O raciocínio, simples e coloquial, que levou a identificar “mocinhos”, “vítimas” e ausência de “bandidos” é muito expressivo. Pode mesmo ser aplicado à questão como um todo, ou seja, referente a toda a problemática da necessidade de reavaliar a produção industrial. Pois o discurso das empresas é de recomendação enfática dos produtos; eloquentes são os danos de alguns produtos sobre seus usuários, silenciados tantas vezes pelo poder de penetração da voz dos produtores. Não há “bandidos”.
Prosseguindo,
— Você também não acha, como disse, que isso resulta também da forma com que funciona essa parceria com a comunidade médica? Eu vejo duas coisas. A primeira que a Nestlé pautou seu discurso na questão da confiança. Então quem é a sua primeira fonte de consulta, se você dá ou não peito, dá ou não leite de mamadeira? O médico, o pediatra que eles chamam de neonatal, que está na sala de parto. Esse pediatra, que talvez seja o que acompanhe o bebê depois, ele vai (teria que) dizer: olha, é assim mesmo, tem que tentar e se ficar machucado tenta o outro peito, que não está abaixo do peso, é assim mesmo. Não, mas ele tá magrinho! Mas é normal. Ele vai (deveria ir) te convencendo e te dando essa confiança.
— (O leite e a mamadeira) são economicamente mais rentáveis para os médicos e para os hospitais.
— O que o médico receita é porque que a indústria indica, e o médico é uma classe que goza de muita fé das pessoas, porque ele lida com a cabeça da gente, com a nossa vida, então acreditamos nele e precisamos acreditar nele. A gente coloca a vida da gente na mão do médico. Ele tomou o lugar do padre, da religião.
— Eu (sou designer, mas) quando fiz medicina, a aula inaugural da gente era com um professor bem velhinho, que dava as dicas de como se entrar na casa de um paciente: um pigarro antes da soleira para demonstrar sua autoridade, esconder as mãos pra aparentar segurança, demonstrar que você tinha uma sapiência.
Não é difícil identificar o comprometimento inicial entre a indústria e a área médica a partir do início do raciocínio sobre o alto nível de implantação da cultura da mamadeira e dos leites artificiais em nossa sociedade. Como já visto, a invenção dos leites industriais necessitou de uma “ponta de lança”, uma veia de penetração que garantisse a aceitação do novo produto no mercado. Mesmo que a área médica tenha sido a fonte dos estudos científicos que deflagraram o perigo do produto, a mesma área foi responsável por promover a expressiva penetração da mamadeira nos hábitos da população, uma penetração referendada por profissionais encarregados de zelar pela saúde das pessoas. E isso em grande parte se deve ao fato de que as empresas detêm capital para investimento em pesquisa. Empresas privadas, institutos de pesquisa estatais e universidades constituem pólos de pesquisa, mas a capacidade financeira e os objetivos estratégicos das empresas fomentam ali muito substancialmente a geração de resultados. A realização de pesquisas tende a gerar credibilidade sobre produtos. Sem a pesquisa, o que existe é acomodação sem evolução, como tratado no trecho a seguir:
— Às vezes recebemos uma crítica de algumas áreas: (a de) que um investimento tecnológico (que envolve pesquisa) pra gerar um produto, às vezes associava um consumo. […] (Com) uma baixa grande de consumo, a indústria vai dizer: então não vou investir em pesquisa e vocês não vão saber qual é o melhor plástico. É uma argumentação que vai surgir. E a indústria vai ficar sempre isenta de qualquer coisa.
Em outras palavras, o professor referia-se à pratica de as empresas contratarem pesquisadores de várias áreas (inclusive em universidades) visando à geração de produtos para o consumo. Vista por muitos como “conivência” entre pesquisador e indústria, a ausência dessa parceria acarretaria, hipoteticamente, uma estagnação tecnológica da produção, o que não é aceitável para o modelo econômico nem desejável pela sociedade. Mas o problema reside em que algumas descobertas científicas, como no caso das mamadeiras e do leite em pó, ficaram encobertas, a fim de não desestruturar sistemas econômicos e de consumo já instalados.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Código de honra
Acabo de assistir na TV a cabo ao filme "Código de honra", filme norte-americano de 2011. Diante de muitos acidentes e casos de infecção por HIV, hepatites etc., envolvendo profissionais da saúde e seringas plásticas, um engenheiro inventou uma seringa não-reutilizável, que soluciona o problema.
Mas ela não foi de interesse dos órgãos que controlam a compra de suprimentos hospitalares no país porque, além de mais cara, sua adoção acabaria com um esquema milionário que envolve o que poderíamos chamar de "a indústria da doença", que inclui a prática de exportar para países pobres as seringas, que são lá reutilizadas.
Obra de ficção? Não.
Depois de muita luta, jogos de pressão e mortes, o filme relata que alguns hospitais aderiram à seringa, alguns, e que permanece aquela prática de reutilização em países da África (eles denunciam no filme que esta foi a principal causa da disseminação da AIDS naquele continente).
As tensas reuniões que aparecem no filme me fizeram lembrar das algumas oportunidades em que eu e a equipe com quem trabalho no projeto do copinho tivemos de conversar com advogados, empresas ligadas a patentes, coisas assim.
Os problemas da mamadeira, quando apresentados, caem como uma bomba. Claro, mexem com uma indústria que é apenas a maior indústria de alimentos do mundo.
Numa dessas vezes, fomos alertados do seguinte: procurem se defender de possíveis interessados no projeto de vocês, pois a empresa pode querer financiar e patentear, justamente para nunca permitir que o produto vá para o mercado.
É, quando você entra numa de analisar em detalhe, muitas vezes percebe que as coisas mais cotidianas podem ser personagens de filmes como este.
Recomendo.
Mas ela não foi de interesse dos órgãos que controlam a compra de suprimentos hospitalares no país porque, além de mais cara, sua adoção acabaria com um esquema milionário que envolve o que poderíamos chamar de "a indústria da doença", que inclui a prática de exportar para países pobres as seringas, que são lá reutilizadas.
Obra de ficção? Não.
Depois de muita luta, jogos de pressão e mortes, o filme relata que alguns hospitais aderiram à seringa, alguns, e que permanece aquela prática de reutilização em países da África (eles denunciam no filme que esta foi a principal causa da disseminação da AIDS naquele continente).
As tensas reuniões que aparecem no filme me fizeram lembrar das algumas oportunidades em que eu e a equipe com quem trabalho no projeto do copinho tivemos de conversar com advogados, empresas ligadas a patentes, coisas assim.
Os problemas da mamadeira, quando apresentados, caem como uma bomba. Claro, mexem com uma indústria que é apenas a maior indústria de alimentos do mundo.
Numa dessas vezes, fomos alertados do seguinte: procurem se defender de possíveis interessados no projeto de vocês, pois a empresa pode querer financiar e patentear, justamente para nunca permitir que o produto vá para o mercado.
É, quando você entra numa de analisar em detalhe, muitas vezes percebe que as coisas mais cotidianas podem ser personagens de filmes como este.
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